Eleições 2016: laboratório político

As campanhas eleitores para as prefeituras Brasil afora começaram ontem e, nas próximas semanas, deverão ter ritmo de velocista olímpico. A essa altura de 2012 a corrida já estava a pleno vapor, com os candidatos em campo. Este ano, há menos tempo e menos dinheiro. As campanhas não terão financiamento empresarial, há mudanças nos horários de propaganda e eleitoral e, sobretudo, nos prazos – os candidatos terão apenas 45 dias para convencer seus eleitores, a metade do tempo habitual.

 

Com as novas regras, na teoria, os candidatos que lideram as pesquisas terão, desta vez, mais chance de conquistar as vagas em outubro. Teremos, portanto, menos chance de ver um cenário como o de 2012, quando favoritos em grandes capitais brasileiras na metade de agosto foram ficando pelo caminho – como Russomano em São Paulo, Crivella no Rio, Ratinho Jr. em Curitiba. ACM Neto e Marcio Lacerda confirmaram o favoritismo de agosto em Salvador e Belo Horizonte.

As mudanças na legislação eleitoral vem acompanhadas de um cenário bem mais conturbado politicamente. Diante do impeachment de Dilma Rousseff, alianças foram desfeitas e novas bases construídas. Em São Paulo, por exemplo, Marta Suplicy, ex-PT, compõe a chapa peemedebista com Andrea Matarazzo, ex-PSDB. Do outro lado, Russomano (PRB) tenta a sorte novamente, e Fernando Haddad (PT) quer mais 4 anos à frente da cidade, ao lado de Gabriel Chalita, também ex-PSDB. A ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL) e o empresário João Dória (PSDB) correm por fora.

No Rio, Crivella lidera mais uma vez, seguido, mais uma vez, por Marcelo Freixo (PSOL). Na teoria, os líderes já começam com um pé dentro das prefeituras. Mas, os Jogos do Rio estão aí para mostrar que contar com a vitória na véspera é pra lá de perigoso. E na política, assim como no esporte, muita coisa pode mudar em poucos dias, horas, minutos. Emoção à vista.