E agora, Temer?

Quando decidiu recriar o ministério da Cultura, nomeando o diplomata de carreira Marcelo Calero, no dia 21 de maio, o presidente Michel Temer afirmou que fazia um gesto para “serenar os ânimos e focar no objetivo maior, a cultura brasileira”. No mesmo dia, em sua conta no Twitter, o ministro da secretaria de governo, Geddel Vieira Lima, afirmou que foi contra a decisão, mas que foi “voto vencido”. Seis meses após a decisão, Calero, Geddel e Temer viraram os protagonistas da maior crise do Planalto.

Depois de acusar Geddel de tentar pressioná-lo a liberar uma obra de interesse pessoal, Calero entregou à Polícia Federal gravações de conversas que teve sobre o assunto Geddel, com Temer e com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Em depoimento à PF, Calero contou como Temer e seus ministros tentaram coagi-lo a liberar a construção de um imóvel em Salvador embargado pelo Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico.

O próprio governo confirmou duas reuniões com Calero – a segunda delas, aparentemente, feita apenas com o intuito de obter as gravações. E agora? O depoimento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, e cabe ao procurador Rodrigo Janot decidir se abre investigações sobre Geddel, sobre Temeer e sobre Padilha. Eles podem ser investigados por advocacia administrativa, tráfico de influência e crime de responsabilidade. Não há prazo para a decisão da PGR. Geddel também será investigado pela Comissão de Ética da presidência. A oposição aproveitou para defender um impeachment de Michel Temer.

Com as informações divulgadas até aqui, o pedido de impeachment é certamente um exagero, mas analistas afirmam que a situação de Geddel está ficando insustentável. Segundo o jornal O Globo, amigos do ministro o aconselharam a pedir demissão. Enquanto isso, a Câmara se debruça sobre a anistia ao Caixa 2; e o líder do governo no Senado, Romero Jucá, conseguiu, numa manobra, incluir parentes de políticos na segunda etapa do programa de repatriação. Sobre crescimento econômico, concessões e reformas, nada.