Doria corre para tirar pacote de privatizações do papel

ÀS SETE - O prefeito de SP corre contra o tempo para fazer o que prometeu, já que em abril deve deixar o cargo se quiser se candidatar à governador

Quatorze meses depois de assumir a prefeitura de São Paulo, a gestão João Doria (PSDB) deve publicar neste sábado os termos de seu primeiro edital de concessões, que incluirá a desestatização do mercado de Santo Amaro, na zona sul da capital.

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O plano é passar o mercado para a iniciativa privada até junho, num contrato de 25 anos. Vence que oferecer um valor anual de outorga maior, com cota mínima fixada em 457.000 reais.

O mercado foi escolhido por necessidade, já que teve metade de suas lojas destruídas por um incêndio em setembro de 2017, e até hoje os lojistas trabalham em tendas improvisadas pela prefeitura.

A principal missão do novo concessionário será a reforma do mercado, o que deve exigir investimentos de até 20 milhões de reais, segundo a prefeitura.

Doria corre contra o tempo. O prefeito paulistano apresentou com estardalhaço “o maior pacote de privatização da história de São Paulo” em fevereiro de 2017, com um vídeo feito para apresentar a investidores estrangeiros as oportunidades da cidade.

O vídeo, apresentado em uma viagem a Dubai, previa 55 lotes de privatização, incluindo o autódromo de Interlagos, o Complexo do Anhembi, o Estádio do Pacaembu, o Parque do Ibirapuera e até o serviço funerário do município.

O pacote, genérico, foi aprovado pelos vereadores no fim de setembro. Agora, Doria precisa tirar as iniciativas do papel o quanto antes, já que em abril precisa deixar o cargo se quiser de fato se lançar ao governo de São Paulo.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a prefeitura espera lançar até o fim de junho um pacote que inclua parques, mercados municipais e o estádio do Pacaembu.

O assessor financeiro que coordenará a conturbada venda do Anhembi deve sair ainda este mês. No segundo semestre viriam o autódromo de Interlagos – que Doria quer transformar numa nova “cidade”.

No total, Doria prevê arrecadar até 7,5 bilhões de reais com o programa e cortar 1 bilhão de reais em gastos de manutenção por ano. Entre os ambiciosos planos e a difícil realidade há uma enorme distância. Depende dela parte importante do futuro político do prefeito paulistano.