Dono da boate Kiss e integrantes da banda são presos

Três pessoas foram presas em caráter temporário pela polícia em Santa Maria. Tragédia já tem mais de 230 mortos confirmados

São Paulo – Três pessoas ligadas ao incêndio em Santa Maria tiveram prisão temporária decretada pela Policia Civil da cidade, no Rio Grande do Sul, após a tragédia que matou mais de 231 jovens na boate Kiss na madrugada deste domingo. As informações são do jornal Zero Hora.

Foram detidos dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que fazia show na boate e lançou o sinalizador que, supostamente, teria iniciado o incêndio. O vocalista foi detido durante o velório do membro da banda que faleceu durante o incêndio, o gaiteiro Danilo Jaques. 

Além deles, um dos sócios da casa também encontra-se preso, segundo o Zero Hora.

Oficialmente, a Polícia Civil confirmou as prisões temporárias, mas não divulgou os nomes, alegando que a prisão é de caráter cautelar e serve para apurar os fatos. 

O empresário Elissandro Spohr buscou atendimento médico em Cruz Alta, cidade vizinha a Santa Maria. O sócio estava presente na festa junto de sua mulher e inalou a fumaça tóxica. Segundo entrevista dada por seu advogado, Spohr compareceu domingo à delegacia e está à disposição da Justiça.

O outro sócio da Kiss também teve prisão temporária decretada, mas ainda não foi localizado pela polícia.

A tragédia

O incêndio começou na madrugada de sábado para domingo, por volta das 2h30, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira na Boate Kiss, em Santa Maria (RS).

Segundo relatos, o fogo teria sido causado por um sinalizador, conhecido como “Sputnik”, usado pela banda, que usava efeitos pirotécnicos em seus shows. A faísca teria atingido o teto, cujo material acústico é altamente inflamável, e se espalhado pela casa em poucos minutos.

A banda nega que o sinalizador seja a causa do incêndio e defende que houve um curto-circuito nos fios do teto. Tanto o sinalizador quanto a rede elétrica da casa noturna estão sendo avaliados pela perícia.

Foram confirmadas mais de 230 mortes, além de dezenas de feridos. A maioria das mortes foi por asfixiamento da fumaça tóxica e os sobreviventes ainda correm riscos de desenvolver quadro de pneumonia química.

A tragédia foi potencializada pela estrutura da boate: com espaço para mais de mil pessoas, ela possuía apenas uma saída mal sinalizada. Muitos jovens foram para os banheiros em busca de janelas que estavam lacradas pela decoração da fachada e acabaram morrendo. Outros erraram o caminho para as saídas ou não conseguiram sair a tempo – muitos foram pisoteados em meio ao pânico.