Dia da delação da Odebrecht?

Dia de ansiedade máxima em Brasília. As delações premiadas e o acordo de leniência da empreiteira Odebrecht têm grandes chances de serem assinadas nesta quarta-feira – ou, no mais tardar, até sexta-feira. Mais de cem políticos, entre deputados, senadores, governadores e presidentes serão citados. Segundo estimativa divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, quando homologada, ela mais que duplicará o tamanho da Lava-Jato, que até aqui tem 250 denunciados em 54 ações penais e mais de 6,4 bilhões de reais identificados nos esquemas para pagamento de propinas a agentes públicos.

A Odebrecht teria ajudado a desviar, ao todo, cerca de sete bilhões de reais da Petrobras. Nos depoimentos prestados por 70 executivos, a empreiteira deve admitir que existia um sistema organizado e profissional de corrupção, confirmando a tese do Ministério Público. Entre os políticos que receberam dinheiro da empresa, de acordo com dados vazados pela imprensa até aqui, estão o presidente Michel Temer e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de ministros, como José Serra, e governadores, como Geraldo Alckmin. Os valores e a maneira que foram repassados variam caso a caso.

As consequências disso tudo, obviamente, ainda são difíceis de serem medidas. Mas há articulações para que os danos ao sistema político sejam os menores possíveis, justamente no momento em que a operação atingir o ápice ao ver as veias abertas da maior pagadora de propinas do país. Parlamentares tentam articular um projeto que define o crime de caixa dois e, ao mesmo tempo, anistia os casos passados, livrando muitos políticos de investigações da operação. A proposta de lei que combate o abuso de poder, encabeçada por Renan Calheiros, também é uma forma de frear os investigadores.

“Dependendo do escalão do indivíduo delatado e do atual grau de envolvimento com o governo, o ambiente político pode deteriorar-se rapidamente. Votações como a PEC do Teto de Gastos, que tramita agora no Senado, a reforma da previdência e a reforma política podem ser afetadas”, diz Francisco Almeida, analista político da Barral M Jorge. Era tudo que o governo não precisava.