Desmatamento na Amazônia volta a crescer em janeiro

Segundo boletim do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, foram detectados 288 km² de desmatamento na região em janeiro de 2015

São Paulo – O ano já começa com péssimos indicadores na Amazônia Legal, área que compreende nove estados brasileiros e corresponde a quase 60% do território brasileiro.

Segundo boletim do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), foram detectados 288 km² de desmatamento na região em janeiro de 2015, um aumento de 169% em relação ao mesmo período do ano passado, quando este número foi de 107 km².

A extensão da destruição ambiental pode ser ainda maior, já que, quando foi realizado o levantamento, metade da área florestal da Amazônia Legal estava coberta por nuvens, o que reduziu a capacidade de detecção do desmatamento e da degradação florestal na região.

Os estados do Mato Grosso (75%) e Pará (20%) são os que apresentam maiores áreas de derrubada de florestas para uso do solo em outras atividades (também conhecido como corte raso).

Os municípios mais desmatados foram: Feliz Natal (MT) e Altamira (PA) – Altamira é onde está sendo construída a Usina de Belo Monte.

De acordo com o estudo do Imazon, 80% do desmatamento ocorreu em áreas privadas, 12% em Assentamentos de Reforma Agrária e 7% em Unidades de Conservação. Somente 1% foi registrado em Terras Indígenas.

Foi registrado um crescimento ainda maior no índice de terras degradadas, aquelas onde a floresta não é inteiramente suprimida, mas intensamente explorada pela atividade madeireira ou queimadas.

Foram detectados 389 km² de matas degradadas, um salto de 1.116%, em comparação a janeiro de 2014.

Segundo o instituto, toda esta degradação aconteceu no Mato Grosso.

Durante todo segundo semestre de 2014, o SAD revelou que – mês a mês – a Floresta Amazônia está sendo mais e mais desmatada.

De acordo com o relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, elaborado pelo pesquisador Antonio Donato Nobre, entre 1975 e 2013, foram desmatados a corte raso 762 mil km2 de floresta – isto é o mesmo que três estados de São Paulo e duas Alemanhas.