Desafio de Aécio é superar “fantasma de Lula”, diz FT

Para Financial Times, PT deve sair das eleições deste ano com uma lição de casa: encontrar um líder tão carismático quanto Lula para o próximo pleito

São Paulo – Mais do que superar Dilma Rousseff (PT) em termos de discurso, a luta de Aécio Neves (PSDB) nos próximos 18 dias será suplantar o “fantasma de Lula”, segundo análise do jornal britânico Financial Times.

“Muitos brasileiros ainda são devotados ao ex-metalúrgico de voz grosseira e o colocam no pedestal como o homem que mudou o Brasil e suas vidas para melhor”, afirma a publicação.

Em 2010, foi exatamente este prestígio que garantiu a vitória da então quase desconhecida ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) na corrida pelo Planalto.

Segundo o jornal, alguns devotos do ex-presidente afirmavam que, uma vez no poder, Dilma iria seguir a vontade de Luiz Inácio Lula da Silva, e que, um dia, ele voltaria a comandar o país.

No entanto, os quatro anos do governo Dilma provaram que a presidente tende a andar com as próprias pernas. Por outro lado, Lula já afirmou que ainda não pensa na possibilidade de voltar nas eleições de 2018.

“Uma pessoa com quase 70 anos tem que dar graças a Deus de estar vivo daqui a quatro anos”, afirmou Lula à imprensa no último domingo enquanto se esforçava para ser ouvido pela multidão aglomerada ao redor dele. Em 2011, o ex-presidente foi diagnosticado com câncer na laringe e teria se curado no ano seguinte. 

Em São Bernardo do Campo, tradicional reduto petista em São Paulo, Aécio já conseguiu o trunfo de destronar a hegemonia do partido de Lula e Dilma no primeiro turno: o candidato tucano ficou com 36,5% dos votos contra 32,79% computados para a petista. Serra e Alckmin também lideraram a disputa na cidade.

Veja quem foram os vencedores na cidade: 

Candidato Percentual dos votos em São Bernardo do Campo
Aécio Neves (PSDB) 36,25%
Geraldo Alckmin (PSDB) 45,23%
José Serra (PSDB) 46,46%
Alex Mamente (PPS) 22,18%
Orlando Morando (PSDB) 26,10%

Na opinião do Financial Times, enquanto Dilma evoca a volta dos “fantasmas do passado” para fragilizar a campanha do tucano e Aécio rebate com os “monstros do presente”, o PT precisa arregaçar as mangas para encontrar “um novo líder adorável capaz de convencer os eleitores que ainda é o partido do futuro”.