Deputados vão a Brumadinho, Guedes vai ao Rio: e agora Vale?

Comitê irá se reunir com a defesa civil e o gabinete de crise da cidade mineira. Pressão sobre a empresa só faz crescer

A Comissão externa da câmara dos deputados criada para acompanhar os desdobramentos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho irá realizar uma visita técnica à cidade nesta sexta-feira, 8. Comandado pelo deputado Federal Zé Silva (Solidariedade-MG), o comitê irá se reunir com bombeiros locais, com a defesa civil e com o gabinete de crise de Brumadinho para vistoriar o local da tragédia que completa 15 dias nesta sexta-feira. Até ontem, a defesa civil do Estado de Minas Gerais já havia contabilizado 157 mortes.

Além do coordenador Zé Silva (SD-MG) e do relator Júlio Delgado (PSB), a comissão conta, até agora, com outros 18 deputados. Destes, pelo menos cinco devem ir a Brumadinho: Áurea Carolina (PSOL-MG); Greyce Elias (Avante-MG); Elcione Barbalho (MDB-PA); André Janone (Avante-MG) além do próprio deputado Zé Silva (SD-MG).

“O objetivo é estar junto de todos os órgãos estaduais e federais que estão cuidando do desastre, colocando a comissão aberta a receber as informações que foram levantadas até agora sobre as possíveis causas da tragédias”, diz Zé Silva. “Nossa maior expectativa é ter uma nova legislação que não permita que  tragédias como essa ocorram novamente”.

Segundo o deputado, neste semestre estão previstas audiências públicas com representantes da Vale além da revisão de algumas leis, em especial a que trata da Política Nacional de Segurança de Barragens.  “O objetivo é rever a legislação que já existe e fazer novas legislações que permitam punir os responsáveis pelo acidente e garantir a indenização às vítimas”, diz.

Ontem, os Senadores do PSD Otto Alencar (BA) e Carlos Viana (MG) protocolaram um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o rompimento em Brumadinho no Congresso. O texto que foi enviado ao congresso, segundo seus idealizadores, não possui o objetivo de punir os responsáveis pela tragédia, mas sim de criar mecanismos para uma nova legislação sobre a segurança em barragens no Brasil.

As responsabilidades da empresa, e suas respostas ao rompimento, estão sob escrutínio em várias frentes. Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai ao Rio para uma reunião com o presidente da Vale, Fábio Schvartsman. Depois de ensaiar uma intervenção na empresa, forçando a mudança de diretoria via fundos de pensão, o governo voltou atrás na estratégia. Mas suas movimentações têm sido acompanhadas de perto.

Em outra frente, moradores de Brumadinho se revoltaram esta semana contra a Vale em uma reunião feita com representantes da empresa. Cerca de 450 pessoas se reuniram com funcionários da companhia para fazer pedidos emergenciais. Os moradores pediram o pagamento mensal de um salário mínimo para cada adulto atingido, além do reembolso para produtores rurais que perderam suas lavouras com a tragédia. A empresa se negou a aderir às demandas, o que gerou revolta por parte dos moradores e necessitou da intervenção da polícia militar.

Na quinta-feira, vale lembrar, o governo mineiro determinou o fechamento de mais duas barragens da empresa, o que fez as ações da mineradora caírem 5% na quarta-feira. Entre investidores, governo federal, governo estadual, Congresso e moradores, a Vale deve continuar vivendo dias de pressão.