Debate da Globo é último fio de esperança de candidatos do centro

"Uma terceira força poderá ganhar impulso dependendo do tom que adotarem durante o debate”, diz cientista política a EXAME

O último debate entre os presidenciáveis ao primeiro turno será realizado às 22h de hoje na Rede Globo e irá ocorrer sem o líder da corrida eleitoral, Jair Bolsonaro, do PSL. Com 32% das intenções de voto na pesquisa do Ibope lançada na quarta-feira, o candidato não comparecerá ao debate por recomendações médicas. Ele se recupera em sua casa no Rio de Janeiro do atentado sofrido no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora.

Bolsonaro participou apenas dos dois primeiros debates televisivos. Após o segundo, na Rede TV!, em 17 de agosto, no qual Marina Silva, da Rede, deu uma bronca no capitão reformado do Exército, o candidato cogitou não participar de outros debates. Acabou afastado dos embates por causa da facada no abdômen.

Sem Bolsonaro, o petista Fernando Haddad deve ser o principal alvo dos demais candidatos, especialmente de Ciro Gomes, do PDT, Geraldo Alckmin, do PSDB, e Marina Silva, que se apresentam como uma possível alternativa para disputar o segundo turno com o candidato do PSL. “O debate poderá ajudar aqueles que estão em dúvida entre dois candidatos, no entanto, esses votos não devem representar uma virada rumo a uma terceira via”, diz Fernando Schüler, cientista político da escola de negócios Insper, de São Paulo. “A tendência é vermos um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad.”

Lara Mesquita, cientista política do Centro de Política e Economia do Setor Público da FGV, discorda. Para a especialista, há chances de reversão, sim. “Uma terceira força poderá ganhar impulso dependendo do tom que adotarem durante o debate”, diz. “Certamente, os coordenadores de campanha estão testando as melhores estratégias de posicionamento.”

O debate da Globo tem tradicionalmente um papel importante para a definição nas urnas. O caso mais emblemático foi o do encontro de 1989, quando a emissora editou o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Melo, ajudando o atual senador pelo PTC a chegar ao poder. Mas não apenas. Na última eleição presidencial, em 2014, o debate do primeiro turno fez com o tucano Aécio Neves, que patinava em terceiro lugar, disparasse na frente de Marina Silva e chegasse ao segundo turno com a petista Dilma Rousseff.