De Guedes a Bebianno: o contorno final da Previdência

A poucos dias do envio do texto ao Congresso, base governista tenta articular apoio, em meio a escândalo envolvendo uso do fundo partidário

O governo Bolsonaro vai enfrentar, a partir desta segunda-feira, 11, uma dura batalha em busca de apoio para a reforma da Previdência dentro e fora da Praça dos Três Poderes. Ao mesmo tempo em que governistas tentarão convencer parlamentares a votar a favor da pauta impopular, terão de montar uma estratégia de comunicação para explicar aos brasileiros por que é essencial tornar as regras de aposentadoria mais rígidas.

A expectativa é de que o texto seja apresentado ao Congresso até 20 de fevereiro, segundo Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ou até o fim do mês, segundo o secretário especial de Previdência, Rogério Marinho. De qualquer forma, faltam poucos dias para que as conversas políticas sejam costuradas e o plano de comunicação, articulado, de tal forma que mostre que quem ganha menos paga menos e quem ganha mais paga mais.

A reforma da Previdência terá uma tramitação diferente, segundo Maia, em reportagem veiculada no jornal O Globo. A proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e, em seguida, seguirá para uma comissão especial. Só depois será apreciada pelo plenário. Por se tratar de proposta de emenda à Constituição (PEC), precisa do apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513) para ser aprovada e enviada ao Senado.

Pontos importantes, no entanto, só serão definidos depois que o presidente Jair Bolsonaro receber alta do hospital, onde se recupera de uma cirurgia para retirar a bolsa de colostomia. Ainda não há previsão de alta. Ficará a cargo de Bolsonaro a definição das regras de transição e as idades mínimas para a aposentadoria, segundo o ministro de Economia, Paulo Guedes, em entrevista na última quinta-feira, 7.

“O presidente está se recuperando. Quando ele voltar, definirá algumas variáveis importantes como o tempo de transição, as idades e se o novo regime [trabalhista] vem agora ou não”, afirmou Guedes, na ocasião. De acordo com o último boletim médico, o presidente teve uma melhora significativa no quadro, mas, por ordens médicas, as visitas continuam restritas.

Tampouco ele tem atendido o telefone. O ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência, ligou para tentar explicar a manchete da Folha de S.Paulo de domingo, 10, que revelou que o PSL (partido de Bolsonaro) repassou 400.000 reais da cota feminina do fundo eleitoral a uma candidata inexpressiva de Pernambuco, Maria de Lourdes Paixão. Ela fez pouco mais de 200 votos. Ficou sem falar com o presidente, segundo o jornal.

Já Guedes vai falar e muito nesta segunda-feira, mesmo com o presidente longe do Palácio do Planalto. Ele tem uma reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e com secretários da Fazenda, Orçamento e do Tesouro Nacional (Mansueto Almeida). Os trabalhos não param na ausência do presidente. Mas o contorno final do projeto, só com a alta de Bolsonaro.