De admirador a futuro ministro, conheça a trajetória de Gustavo Bebianno

Advogado e lutador de Jiu-Jitsu, o futuro ministro foi anunciado para comandar a Secretaria-Geral da Presidência do governo Bolsonaro

São Paulo — O advogado carioca Gustavo Bebianno foi anunciado nesta quarta-feira (21) como futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência do governo BolsonaroConselheiro e uma das figuras mais próximas do presidente eleito, a confirmação de sua indicação já era esperada. 

Aos 54 anos, Bebianno foi peça fundamental durante a corrida eleitoral deste ano. Ele foi o responsável por encontrar o partido que lançaria Bolsonaro, até então do PSC, como candidato à Presidência.

Teceu conversas com o Patriota, legenda que acabou lançando Cabo Daciolo, mas afirmou ao jornal Folha de S.Paulo, que não sentiu confiança nas promessas de Adilson Barroso, presidente do Patriota.

Depois de indas e vindas, escolheu o PSL, comandado até então pelo deputado federal eleito por Pernambuco, Luciano Bivar.

Em janeiro, se filiou ao partido e assumiu sua presidência. Cuidou de todas as demandas da campanha — inclusive as conversas com a imprensa e o controle financeiro da corrida eleitoral.

Um dia depois do segundo turno, com a vitória de Bolsonaro, o advogado deixou o comando da sigla, que voltou para as mãos de Bivar.

Faixa preta de Jiu-Jitsu e admirador do presidente eleito, a quem se dirige como “capitão”, Bebianno tentou diversas aproximações com Bolsonaro até conquistar sua confiança. 

Sua primeira investida foi em 2015. Em setembro daquele ano, o advogado enviou uma mensagem no Facebook de Carlos Bolsonaro, filho de Jair e vereador pelo Rio de Janeiro, pedindo uma ação do então deputado federal contra um decreto assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff. O pedido, no entanto, não obteve resposta.

O primeiro encontro aconteceu apenas em 2017. Na ocasião, Bebianno se ofereceu para tratar dos casos jurídicos de Bolsonaro de graça.

A princípio a oferta foi negada, mas com o passar do tempo foi conquistando a confiança da família e do próprio Bolsonaro. Atualmente, é tido como o “fiel escudeiro” do presidente eleito.

Ostenta quase o mesmo prestígio dos filhos de Bolsonaro: participa das reuniões em sua casa na Barra da Tijuca e foi um dos poucos a ser autorizado a permanecer na UTI do hospital Albert Einstein, em São Paulo, após o ataque a faca sofrido pelo presidente eleito durante a campanha, em setembro.

Formado em direito pela PUC-Rio, em 1990, segundo informações do jornal O Globo, o advogado trancou o curso e foi tentar a vida dando aulas da arte marcial em Miami. Abriu uma academia na cidade, mas, quatro anos depois, voltou ao Rio para estudar.

Em 2006, voltou à Flórida, desta vez como sócio de Rilion Gracie, um dos filhos da família de lutadores. Investiu cerca de US$ 60 mil em uma academia com Gracie, com quem treinava desde os 18 anos em Ipanema. Em 2008, voltou ao Brasil.

Ações na Secretaria-Geral da Presidência

Após seu anúncio como ministro, Bebianno afirmou em entrevista coletiva que sua principal tarefa à frente da Secretaria-Geral será a “modernização” e a “desburocratização” do Estado.

O futuro ministro confirmou que será responsável pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), a Secretaria de Comunicação Social (Secom) e também o Programa de Parcerias de Investimento (PPI), criado no governo de Michel Temer para administrar a agenda de privatizações e concessões.,

Ele também informou que a Empresa Brasileira de Comunicação ficará sob sua responsabilidade e disse que está estudando qual será o destino dado à empresa, criada durante o governo Lula em 2007.

“Agora, talvez pela primeira vez, o governo federal olhará para sua atividade-fim, que é servir a população”, disse Bebianno na coletiva.