Damares convoca coletiva e fica em silêncio; entenda a performance

Ministra ficou em silêncio, aparentemente emocionada, diante dos jornalistas; após especulações, ministério divulgou uma nota explicando o que aconteceu

São Paulo – A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, fez uma espécie de performance nesta segunda-feira (25).

Ela convocou uma coletiva de imprensa, mas silenciou quando estava diante dos jornalistas, demonstrando aparente emoção.

A própria ministra divulgou o ocorrido no seu Twitter, e depois incluiu um segundo vídeo explicando que estava tentando chamar a atenção para uma nova campanha de enfrentamento à violência contra a mulher:

O ministério divulgou uma nota explicando que “o objetivo era mostrar como o silêncio da mulher incomoda” e que o slogan da campanha é “Se uma Mulher perde a voz, todas perdem”.

As peças publicitárias, que incluem um clipe elaborado para a campanha e interpretado pela dupla Simara e Simaria, serão veiculadas em emissoras de rádio, televisão, internet, cinema e mídia externa ao longo da semana.

Hoje é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Membros da oposição criticaram a atitude, considerada uma oportunidade perdida para debater o tema.

Programa

Damares anunciou que o governo federal vai iniciar, a partir de janeiro, um projeto de capacitação para que todas as delegacias de polícia do país tenham um serviço especializado em atendimento à mulher vítima de violência. O anúncio foi feito durante solenidade, no Palácio do Planalto, que contou com com a participação do presidente Jair Bolsonaro.

“A partir de janeiro, todas as delegacias do Brasil também serão delegacias da mulher. Pronto. Vamos capacitar todos os agentes de delegacia do Brasil. Vamos capacitar todos os delegados”, disse a ministra.

Segundo ela, apesar de existiram há 35 anos, as delegacias da mulher estão presentes em menos de 10% dos municípios do país e apenas 19% dos municípios têm algum órgão de defesa da mulher.

Ela também sugeriu que mais mulheres se candidatem a vereadoras, nas eleições do ano que vem, para que sejam criadas Procuradorias da Mulheres em todas as Câmaras Municipais do país.

Perguntada se há orçamento previsto para esta capacitação, a ministra disse que o recurso está assegurado e sairá de um programa da pasta chamado Salve uma Mulher. O valor não foi informado. A ministra explicou que já estão sendo feitos contatos com a secretarias de segurança dos estados para que a parceria para capacitação comece em janeiro.

Outra medida anunciada pela ministra foi a ampliação do Disque 180, canal de denúncia de violência contra a mulher. De acordo com Damares, a partir de janeiro a ferramenta vai passar a contar com videoconferência e atendimento em Libras (Língua Brasileira de Sinais), para que possa também ser utilizada por mulheres surdas.

Perigo

Cerca de 1,23 milhão de mulheres foram atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil por serem vítimas de violência entre 2010 e 2017, de acordo com dados divulgados hoje em uma nova ferramenta do Instituto Igarapé.

Os parceiros representam 36% dos autores dos ataques, e as mulheres negras são os principais alvos de todos os tipos de violência.

Especialistas alertam que a política do governo Bolsonaro de ampliar as possibilidades para posse de arma de fogo por cidadãos comuns pode deixar as mulheres mais vulneráveis em casa.  

Entre 2016 e 2017, 66% dos casos de morte de mulheres em São Paulo aconteceram na residência da vítima, segundo o estudo “Raio-x do Feminicídio em São Paulo“, do Ministério Público.

Outra dado, do Instituto Sou da Paz, de 2016, mostra que 40% das vítimas mortas em domicílio naquele ano foram executadas por uma arma de fogo. Apenas 7% dos ataques com arma branca resultam em morte, contra 60% nos casos com arma de fogo.