Ministra Damares Alves nega que vá deixar o governo Bolsonaro

Matéria da VEJA afirmou que ministra teria avisado que vai sair devido ao cansaço pela rotina estressante, problemas de saúde e ameaças de morte

São Paulo – A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, negou que vá deixar o cargo:

“Informo que não pretendo sair o governo”, diz o texto da nota enviada a EXAME, sem dar mais informações.

Em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, Damares afirmou que ficará no cargo “até o onde o presidente aceitar e até onde a minha saúde suportar”.

“Eu não vou sair deste governo. Nós estamos com tantos projetos iniciando agora. Tem tanta coisa pra fazer e não há nenhuma intenção de deixar o governo”, garantiu. Ela também publicou mensagem no Twitter:

Uma reportagem publicada nesta sexta-feira (03) pela VEJA afirma que a ministra teria pedido ao presidente Jair Bolsonaro para deixar a pasta devido à rotina estressante, problemas de saúde e ameaças de morte.

Segundo a reportagem, ela abandonou sua residência em Brasília e passou a morar em um hotel, cujo endereço é mantido em sigilo.

Por orientação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a ministra teria passado não antecipar a agenda de atividades e a segurança dela foi reforçada.

Por fim, o texto cita que Damares Alves avisou Bolsonaro que deixará o ministério apenas quando concluir os principais programas da pasta.

Mesmo com a insistência do presidente, a ministra teria reforçado que permaneceria no cargo até, no máximo, dezembro deste ano.

Damares Alves evitou criar atrito com a imprensa e afirmou para a rádio que a publicação da Veja não se trata de uma notícia falsa, mas, sim de um mal-entendido.

“Não é fake news, mas um mal-entendido. Alguns jornalistas conversaram comigo e eu disse que ficarei nesse governo até quando o presidente desejar e precisar de mim, e até quando a minha saúde aguentar. E eles (jornalistas) devem ter entendido diferente”, pontuou.

Histórico

Advogada de formação, Damares atuava como pastora evangélica e assessora parlamentar do senador Magno Malta, um dos articuladores de campanha do presidente Bolsonaro.

Como pastora, chegou a afirmar que o Brasil vivia uma “ditadura gay” e que a Igreja perdeu espaço na ciência quando deixou a teoria da evolução entrar nas escolas.

Ao longo de quatro meses de gestão, acumulou uma série de polêmicas e se tornou uma das figuras mais controversas do governo.

Logo no dia 03 de janeiro, circulou um vídeo em que ela diz a apoiadores que o Brasil entrou em uma “nova era” na qual “menino veste azul e menina veste rosa”. Segundo ela, foi uma “metáfora” sobre a “ideologia de gênero”.

No final de janeiro, a revista Época publicou uma reportagem na qual indígenas da aldeia Kamayurá, localizada no centro da reserva indígena do Xingu, no norte do Mato Grosso, afirmam que Damares levou Kajutiti Lulu Kamayurá, à época com seis anos, irregularmente da tribo.

Damares apresenta Lulu, hoje com 20 anos, como sua filha adotiva, mas a adoção nunca foi formalizada legalmente. Em nota, a ministra disse que “não estava presente no processo de saída de Lulu da aldeia” e negou que a menina tenha sido “arrancada dos braços dos familiares”.

A ministra virou assunto até na Holanda após vir à tona um vídeo antigo em que ela afirma que os pais holandeses masturbavam seus bebês a partir dos sete meses de idade.

(Com Estadão Conteúdo)