Cunha é réu (de novo); Renan recua…

Cunha, o réu 

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, aceitar a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o deputado afastado Eduardo Cunha. Por unanimidade, os ministros acompanharam o voto do relator, ministro Teori Zavascki, de que há elementos suficientes para tornar o parlamentar réu em sua segunda ação penal ligada à Lava-Jato no Supremo. A denúncia diz que Cunha atuou pela indicação de Jorge Zelada à diretoria Internacional da Petrobras, e recebeu propinas mantidas em contas secretas no exterior de negócios da área. Segundo a investigação, Cunha recebeu 5 milhões de reais em uma conta na Suíça. Zavascki entendeu que ele era o proprietário e controlador da conta. Agora, Cunha será julgado por corrupção e lavagem de dinheiro.

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A família também

Além de aceitarem a denúncia, os ministros do Supremo também entenderam que os processos de sua esposa, Cláudia Cruz, e sua filha, Danielle Cunha, devem permanecer na competência do juiz Sergio Moro, de Curitiba, e não no Supremo – como pretendia a defesa de Cunha. O ministro Zavascki argumentou que mantê-las no STF poderia causar a falência da Lava Jato, uma vez que seria preciso trazer os outros envolvidos para a última instância.

Sempre a Suíça

O administrador Camilo Gornati, que trabalhava para a empreiteira Odebrecht, informou à força-tarefa da Lava-Jato nesta quarta-feira que os servidores do sistema de controle de pagamento de propinas da empresa ficavam hospedados na Suíça e funcionaram até o mês passado. Gornati criou logins e senhas para os funcionários do grupo acessarem o sistema, em 2008. Segundo ele, era nesse sistema interno que os funcionários da empreiteira trocavam informações sobre repasses de propinas. A Suiça foi escolhida porque os datacentres eram seguros. Gornati era contratado de uma empresa investigada por operar pagamentos ilícitos para a Odebrecht no exterior.

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Piada de mau gosto

O procurador da República Deltan Dallagnol, um dos coordenadores da operação Lava-Jato, disse nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados que a punição à corrupção no Brasil é “uma piada de mau gosto”. As declarações foram feitas em uma comissão na Câmara para debater as propostas anticorrupção feitas pelo Ministério Público Federal com mais de 2 milhões de assinaturas em março. Até hoje, o projeto, denominado dez medidas contra a corrupção, praticamente não andou no Congresso.

É meu!

O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, negou ao promotor Marcelo Milani, do Ministério Público de São Paulo, o compartilhamento de informações sobre um documento apreendido pela Lava-Jato que poderia apontar esquemas de corrupção de empreiteiras nas obras da rodovia Mogi-Dutra, em São Paulo. O empreendimento foi feito em 2002, no primeiro governo de Geraldo Alckmin. O documento apreendido sugere pagamento de 5% do valor da obra para o “santo” e atuação do cartel de empreiteiras na licitação. Moro considerou que o compartilhamento seria prematuro e poderia causar conflito nas investigações.

Mais atraso no metrô

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira que a Linha-6 do metrô só ficará pronta em 2021 – com um ano de atraso. Trata-se do segundo atraso da obra que entregará as 15 estações da linha que liga a Vila Brasilândia à estação São Joaquim. A primeira data para finalização era 2018.

TSE: cassação?

Os investigadores da Lava-Jato encaminharam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira documentos que revelam as movimentações financeiras suspeitas do marqueteiro João Santana no exterior para a ação que corre na Corte sobre a impugnação do mandato de Dilma e Temer. São 78 documentos, incluindo os comprovantes de pagamentos que somam quase US$ 7 milhões nas contas da offshore Shellbill Finance mantida por Santana e sua mulher e sócia Monica Moura. O material será utilizado como provas no processo do TSE.

São João na Câmara

A Câmara não realizará votações nesta quarta-feira nem na próxima quinta-feira para que os deputados possam participar das comemorações de São João. O argumento, sobretudo de parlamentares nordestinos, é que as festas servem para aproximar de suas bases. Com isso, votações importantes devem ocorrer na segunda-feira e terça-feira da próxima semana.

Renan recua

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou nesta terça-feira que o pedido de impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que foi protocolado na Casa não tem prazo para ser avaliado. Segundo Renan, a demora na tramitação do processo não é um tentativa de intimidar o chefe do Ministério Público Federal.