Cunha: o fim está próximo?

Com a voz embargada, o deputado Marcos Rogério, no final das seis horas da sessão de apresentação de seu relatório no processo contra de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, acusou o presidente afastado de cometer fraudes, mentir à CPI da Petrobras e pediu a cassação de seu mandato.

Rogério aproxima do fim o mais longevo processo de avaliação de quebra de decoro parlamentar da história. Após 232 dias, finalmente o Conselho conseguiu chegar a um relatório. Na próxima terça-feira 7, os deputados votarão o parecer, que precisa da maioria simples dos 21 votos da comissão para ser aprovado.

Passando no conselho, vai à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que definirá se o documento está correto juridicamente. Ali, Cunha terá cinco dias para recorrer dos aspectos formais. Na improvável hipótese de não haver novos recursos, o parecer segue para ser votado no plenário da Câmara.

Isso não quer dizer que Cunha esteja fora do jogo. O fato de a análise se ater à suposta mentira sobre as contas no exterior, e não a denúncias de corrupção na Lava-Jato, abre brecha para uma pena mais branda. Ontem, houve nova mudança na composição da comissão: o deputado Erivelton Santana (PEN-BA) deu lugar a Alberto Filho (PMDB-MA) aliado de Cunha. Na terça, o presidente interino da Câmara enviou um consulta à CCJ que pode beneficiar Cunha. O relator deste pedido é seu aliado, Arthur Lira (PP-AL).

O voto no plenário é aberto e deputados da oposição apostam que isso pode ajudar a pressionar os parlamentares. Cunha é a figura política com maior rejeição no país, desaprovado por 78% dos brasileiros, segundo pesquisa da IPSOS. Os aliados apostam que o Conselho aprovará um parecer mais brando, livrando Cunha da cassação. São necessários 257 votos para liquidar o mandato do deputado carioca.