Cubanos não podem nem namorar; leia depoimento de médica

Ramona Rodríguez, que deixou o Mais Médicos, falou ao MP sobre regras do programa. Entre elas, não ter relacionamentos amorosos com não cubanos

*Reportagem publicada em 10 de fevereiro de 2014.

São Paulo – A médica cubana Ramona Matos Rodríguez, que deixou o Mais Médicos e pediu asilo ao Brasil na semana passada, afirmou hoje em depoimento ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que o contrato assinado para participação no programa do governo federal brasileiro proíbe namoro ou eventual casamento com pessoas não cubanas sem a autorização prévia de um representante de Cuba (veja o depoimento na íntegra abaixo).

Ramona foi ouvida como testemunha em inquérito do MPT que questiona a legalidade do Mais Médicos.

Para o procurador Sebastião Caixeta, ao contrário da alegação do governo de que os profissionais seriam trazidos para cursos de especialização, o que ocorre na prática é uma relação trabalhista e não de bolsa educacional.

Para o procurador, os médicos cubanos deveriam receber o mesmo salário de R$ 10 mil pago aos brasileiros e outros estrangeiros que vieram ao país. Ramona afirma que recebia apenas 400 dólares do valor total pago pelo governo.

Caixeta adiantou que acredita que o Mais Médicos fere a legislação brasileira e que o inquérito deve ser finalizado até o fim do mês.

No depoimento de hoje, a médica voltou a dizer que era proibida de deixar a cidade sem autorização de um responsável cubano no Brasil e que o contrato não permitia que eles discutissem suas cláusulas com terceiros.

Já no ano passado, surgiu a desconfiança de que Cuba poderia estabelecer para o Mais Médicos as mesmas regras rígidas de controle presentes em outros tratados semelhantes em países como Venezuela e Bolívia.

Após o caso de Ramona, o Mais Médicos já registra novo caso de deserção. O cubano Ortelio Jaime Guerra teria abandonado, há pelo menos uma semana, a cidade paulista de Pariquera-Açu, onde prestava atendimento.

Veja a seguir, a íntegra do depoimento da médica Ramona Matos Rodríguez ao MPT:

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