Crescimento do PT e PSDB não mostra federalização

Para Cláudio Couto, cientista político da PUC-SP, o avanço dos partidos deve ser creditado à consistência das duas agremiações. Uma derrota em São Paulo abalaria o PT, mas não enfraqueceria o governo federal

Atribuir os resultados das eleições deste domingo (3/10) a uma federalização do pleito municipal é um equívoco. A opinião é de Cláudio Couto, cientista político da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “O fortalecimento do PT e do PSDB deve ser atribuído à sua organização e capilarização pelo país.” Os temas relacionados à gestão federal teriam exercido, assim, influência marginal sobre as escolhas. “O eleitor não acredita em uma repetição do federal no local”, diz o analista. Na via inversa, uma derrota do PT em São Paulo, por exemplo, não deve ser interpretada como um enfraquecimento do governo federal. “Claro que é um prejuízo significativo, mas para a agremiação partidária, não para o Planalto.”

Outro engano, segundo Couto, seria acreditar que o segundo turno é uma nova eleição. “As coisas não começam do zero nesta etapa, há apenas uma redistribuição dos espólios políticos”, diz Couto. Em sua análise, tal redistribuição tende a favorecer, em São Paulo, aos tucanos. “O PSDB vai roubar boa parte do eleitorado conservador”, uma migração possível por causa do sepultamento político de Paulo Maluf, “definitivo, agora” (confira abaixo a situação em São Paulo e em todas as capitais; para saber as votações de todos os candidatos, clique aqui).

Assim, na opinião de Couto, o resultado do 2º turno em São Paulo tende a ser a confirmação da vitória de José Serra, do PSDB, desalojando a prefeita Marta Suplicy, do PT. “São mais de cinco pontos percentuais de vantagem de Serra sobre Marta e um patamar superior aos 40% conquistado pelo tucano já no 1º turno.”

Além do declínio de partidos como o PP de Paulo Maluf, as eleições também revelaram a incapacidade do PFL de firmar-se como uma referência do voto à direita. A vitória de César Maia no Rio de Janeiro já no primeiro turno não deve servir de consolo, porque o prefeito nunca foi uma liderança orgânica do pefelismo. “O César Maia foi do PDT e não seria estranho se estivesse no PSDB. A única diferença é que seria mais espalhafatoso, rompendo um pouco o padrão discreto dos tucanos”, diz Couto.

Feito o balanço das urnas, portanto, e mesmo sem considerar as alternativas de cenário depois das definições de segundo turno, o cientista político vê uma clara mudança de eixo político-partidário no Brasil para a centro-esquerda, representada por tucanos e petistas.

Região/ Capitais
Sudeste
Rio de Janeiro (RJ) César Maia (PFL) reeleito, com 50,1% dos votos válidos
Belo Horizonte (MG) Fernando Pimentel reeleito, com 68,5% dos votos válidos
São Paulo (SP) Segundo turno entre Marta Suplicy (PT) e José Serra (PSDB)
Vitória (ES) Segundo turno entre João Coser (PT) e César Colnago (PSDB)
Sul
Porto Alegre (RS) Segundo turno entre Raul Pont (PT) e José Fogaça (PPS)
Florianópolis (SC) Segundo turno entre Dário Berger (PSDB) e Chico Assis (PP)
Curitiba (PR) Segundo turno entre Beto Richa (PSDB) e Angelo Vanhoni (PT)
Centro-Oeste
Campo Grande (MS) Nelsinho Trad (PMDB) eleito com 55,7% dos votos
Cuiabá (MT) Segundo turno entre Wilson Santos (PSDB) e Alexandre César (PT)
Goiânia (GO) Segundo turno entre Íris Rezende (PMDB) e Pedro Wilson (PT)
Nordeste
João Pessoa (PB) Ricardo Coutinho (PSB), eleito com 64,4% dos votos válidos
São Luís (MA) Tadeu Palácio (PDT), reeleito com 50,2% dos votos válidos
Recife (PE) João Paulo (PT) reeleito, com 56,1% dos votos válidos
Aracaju (SE) Marcelo Déda (PT) reeleito, com 71,8% dos votos válidos
Salvador (BA) Segundo turno entre João Henrique (PDT) e César Borges (PFL)
Fortaleza (CE) Segundo turno entre Moroni Torgan (PFL) e Luizianne Lins (PT)
Natal (RN) Segundo turno entre Carlos Eduardo (PSB), e Luiz Almir (PSDB)
Teresina (PI) Segundo turno entre Silvio Mendes (PSDB) e Adalgisa (PMDB)
Maceió (AL) Segundo turno entre Cícero Almeida (PDT) e Sexta Feira (PSB)
Norte
Macapá (AP) João Henrique (PT), reeleito com 41,5% dos votos válidos
Palmas (TO) Raul Filho (PT), eleito com 64,5% dos votos válidos
Rio Branco (AC) Angelim (PT), eleito com 49,5% dos votos
Boa Vista (RR) Teresa Jucá (PPS), reeleita com 56,7% dos votos válidos
Manaus (AM) Segundo turno entre Amazonino Mendes (PFL) e Serafim (PSB)
Belém (PA) Segundo turno entre Duciomar Costa (PTB) e Ana Júlia (PT)
Porto Velho (RO) Segundo turno entre Roberto Sobrinho (PT) e Mauro Nazif (PSB)