Corrupção e liberalismo na pauta em evento de 100 dias de governo

VEJA e EXAME reúnem autoridades, especialistas e empresários para tratar de Previdência, educação e dos conflitos que marcaram o início do governo Bolsonaro

A desastrada intervenção na Petrobras e o futuro do ministro do Turismo devem dominar a agenda política desta segunda-feira tanto em Brasília quanto em São Paulo. Na capital paulista, VEJA e EXAME reúnem autoridades, especialistas e empresários para um dia de debates sobre os primeiros 100 dias de governo.

Estão confirmados nomes como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, a deputada federal Tábata Amaral e o sociólogo e pesquisador Demétrio Magnoli. Entre os temas principais, a tramitação da reforma da Previdência, as políticas do governo para educação e competitividade e, claro, os conflitos que marcaram os primeiros três meses de gestão de Jair Bolsonaro.

O mais novo deles foi exposto no fim de semana pelo jornal Folha de S. Paulo. A deputada Alê Silva (PSL-MG) afirmou que existe um esquema de candidaturas de laranjas comandada pelo ministro do Truismo, Marcelo Álvaro Antônio, e afirmou ter sido ameaçada de morte por denunciar o caso.

O Planalto não comentou o caso, e Bolsonaro ignorou o tema em suas redes sociais. Nomes influentes, como a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) e o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), pediram a demissaão do ministro. Ao manter Álvaro Antônio, Bolsonaro passa a impressão de que o discurso duro contra a corrupção funcionou na campanha, mas nem tanto no governo.

Dicotomia parecida se vê no afinco com que o governo se dedicará ao liberalismo econômico. É outro tema que deve dominar os debates nesta segunda-feira.

Na sexta-feira, Bolsonaro deu uma mostra de como, para ele, a causa liberal capitaneada por Paulo Guedes estará em constante choque com o mundo real de Brasília ao longo de seu governo. Ao determinar que a Petrobras adiasse um aumento previsto no preço do diesel levou as ações da estatal a despencarem quase 8%, uma perda de 32 bilhões de reais em valor de mercado.

Bolsonaro reiterou que não é intervencionista, apesar das demonstrações em contrário. Hoje ele tem reunião com Guedes para tratar do tema. Amanhã, reunirá ministros e técnicos para discutir os preços da petroleira. A não ser que o encontro termine com a decisão de que não serão feitos mais encontros do tipo, investidores seguirão apreensivos.