Corre o relógio das reformas

O presidente Michel Temer volta do carnaval e dá início a uma corrida contra o tempo para aprovar a reforma da Previdência. O grande desafio é evitar os atrasos de cronograma, mesmo sem ter Eliseu Padilha, homem forte da articulação política no Congresso, alvo de novas denúncias e licenciado para tratamento de saúde.

Um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo com deputados pertencentes à comissão especial que avalia a matéria revela que a maioria rejeita os principais pilares do texto. A idade mínima é considerada alta, assim como o tempo de contribuição de 49 anos para o benefício integral; a regra de transição é tida como dura demais.

Para analistas consultados por EXAME Hoje, a resistência era esperada. O Planalto enviou um texto rigoroso para ter margens de corte e facilitar concessões. Mas com tantos imprevistos paralelos, o discurso do governo de entregar as reformas ao Senado no primeiro semestre dificilmente será cumprido. O grande temor é que o calendário da reforma atinja 2018, quando as atenções já estarão voltadas para as eleições. Os parlamentares querem chegar ao pleito fazendo parte de um projeto vencedor, que trouxe resultados para a economia do país.

“Isoladamente, os riscos podem ser contidos. Mas o timing de março e abril pode complicar o governo se houver paralisação da pauta no Congresso. Aí, a percepção de crise fica mais aguda”, diz João Augusto de Castro Neves, diretor de análise para o Brasil da consultoria Eurasia. Em paralelo, o relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral ouviu ontem um depoimento decisivo, do empreiteiro Marcelo Odebrecht. E Temer voltou a ser alvo de protestos durante o carnaval. É hora de o governo mostrar que, apesar dos pesares, o governo continua com o Congresso na mão.