Como quatro governadores encaram as crises fiscal e da criminalidade

"O PCC é uma organização complexa e tem âmbito internacional. Cada estado isoladamente vai resolver essa questão?", perguntou Rui Costa, da Bahia

São Paulo – A crise fiscal e a violência urbana dominaram o debate entre governadores no EXAME Fórum realizado nesta segunda-feira (09) em São Paulo.

Camilo Santana, governador reeleito do Ceará, notou que o estado conseguiu a liderança de investimentos públicos no Brasil em 2018 em proporção da receita líquida. Mas a situação geral é de penúria.

Rui Costa, governador da Bahia, disse que não se deve “criar a falsa ilusão para a sociedade de que os problemas previdenciários estarão resolvidos” com a aprovação da reforma, que não inclui estados e municípios.

Ele também reclamou da concentração de recursos na União em detrimento dos estados, sendo que são eles que encaram os serviços na ponta.

O governador deu um exemplo: quando a polícia apreende uma grande quantidade de drogas, logo há algum grande roubo. A lógica é que comércio de drogas não tem seguro, além de ser um crime federal e que precisa necessariamente ser atacado nacionalmente.

“O PCC é uma organização complexa e tem âmbito internacional. Cada estado isoladamente vai resolver essa questão?”, questiona.

Ele também diz que a sociedade precisa pensar em outras abordagens além da criminal para a questão das drogas pois se um produto tem demanda e com valor alto, sempre haverá gente disposta a vender.

Helder Barbalho, governador do Pará, disse que sua prioridade na área de segurança pública é estruturar a presença do Estado com uma combinação de policiamento e políticas sociais.

Em julho, 62 presos foram mortos em uma rebelião na prisão na cidade de Altamira, que teve uma taxa de taxa estimada de 133,7 assassinatos por 100 mil habitantes em 2017 – a pior do país.

A questão do sistema penitenciário também foi levantada por Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro.

Ele disse que quando Sergio Moro, ministro da Justiça apresentou seu pacote anticrime, o avisou que “recrudescer o aprisionamento é algo que os governadores vão ter arrepios pois temos um grave problema de déficit”.

Para ele, o problema não é de consumo de drogas, e sua atuação está resgatando a credibilidade de um estado onde a polícia estava “desorientada”.

Witzel não citou orientação de execução sumária que costuma citar em entrevistas e que foram criticadas, em debate da manhã, por especialistas em segurança pública.

Camilo Santana

Wilson Witzel

Rui Costa

Helder Barbalho