Como Marta, Haddad prioriza programas sociais

Candidato petista pretende ampliar o bilhete único e construir 20 novos Centros Educacionais Unificados, uma das marcas da gestão de Marta Suplicy

São Paulo – Além da proposta de ampliar o bilhete único, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, pretende construir 20 novos Centros Educacionais Unificados (CEUs), uma das marcas da gestão de Marta Suplicy (2001-2004). Em seu programa de governo, lançado nesta segunda-feira no auditório de uma Universidade na região central da cidade, uma das áreas de destaque é o plano habitacional, que prevê a construção de 55 mil novas moradias, além da urbanização de favelas, que beneficiaria 70 mil famílias, e a regularização fundiária de 200 mil títulos de posse. Tudo em quatro anos, com o apoio do governo federal. “O (programa) ‘Minha Casa, Minha Vida’ é essencial para este plano”, afirmou o candidato.

Na região que abrange os distritos de Sé, Brás e Vila Carioca, o petista apresentou um programa de descontaminação para que essas áreas, atualmente abnegadas pelo mercado imobiliário, voltem a ser ocupadas, desta vez com moradias. Para a região central da cidade, Haddad quer investir na criação de modelos habitacionais que integrem moradia e comércio nos prédios que hoje estão abandonados. “Não queremos bairros só de comércio e bairros só de moradia. Serão bairros de uso misto”, propôs. O candidato destacou ainda o aumento do IPTU como forma de inibir a especulação imobiliária no centro.

Na área de educação, o petista se comprometeu com a implantação de educação integral para 100 mil estudantes e reforço do programa de transporte escolar gratuito, conhecido na gestão Marta Suplicy como “vai e volta”. Para os professores, o programa do PT prevê a criação das Universidades Abertas em cada subprefeitura, que oferecerão aos profissionais da rede municipal e estadual cursos de especialização, mestrado e doutorado em parceria com as universidades.

Para a saúde, Haddad pretende criar a Rede Hora Certa, que é um programa onde o cidadão terá atendimento ambulatorial de especialidades com exames de imagem e centros cirúrgicos para procedimentos simples, como operação de catarata e cirurgia de varizes. “Isso derruba o tempo de espera das filas (de atendimento médico hospitalar).” O petista promete ainda a implantação do prontuário eletrônico, criação de 43 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), construção de cinco prontos-socorros com padrão das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e a criação de mil novos leitos hospitalares – a partir da construção dos três hospitais previstos na gestão Gilberto Kassab e ampliação das unidades que já existem. “Não vamos abandonar as obras da atual administração. Eu tenho alergia a obra parada”, brincou.


Ao longo do “Arco do Futuro”, constituído pelas Avenida Cupecê (zona sul), Marginais do Pinheiros e Tietê, e avenida Jacu-Pêssego (zona leste), a gestão petista pretende concentrar todos os programas da prefeitura. Haddad anunciou que nestas regiões pretende construir parques tecnológicos (na zona leste e no Jaguaré), centros hoteleiros, dois centros culturais, dois centros olímpicos e um parque de exposição. Num tom crítico, Haddad disse que é preciso discutir os “eixos de desenvolvimento” da metrópole, ao invés de “ficar discutindo sopa para mendigo” e “reprimindo morador de rua”.

Entre os destaques do programa de governo petista estão a Agência São Paulo de Desenvolvimento – uma iniciativa com foco na formalização, concessão de crédito e formação profissional -, aumento da coleta seletiva de 1% do lixo produzido atualmente para 10% e ampliação de 56 para 140 ecopontos. Haddad também invocou a proposta de Marta Suplicy de implantação de internet com acesso livre em todos os bairros. “A ideia é brilhante e vai sair do papel”, prometeu. Para ampliar a interface com o governo federal, o petista pretende criar as secretarias da Mulher e de Igualdade Racial.

Ao contrário da gestão Marta, que criou a taxa do lixo, Haddad falou nesta segunda-feira em redução de impostos. Reforçou a promessa de acabar com a taxa de inspeção veicular e propôs o Imposto Verde – incentivo tributário para construções com iniciativas sustentáveis e redução de 50% do IPVA para carros elétricos.