Com pautas divergentes, bolsonaristas vão às ruas neste domingo

Cerca de 350 cidades devem receber atos em cenário de direita dividida e ambiguidade nas pautas

São Paulo — Manifestações em apoio ao presidente Jair Bolsonaro estão agendadas para cerca de 350 cidades brasileiras neste domingo (26). A maior parte dos protestos deve começar a partir das 14 horas.

Elas acontecem em meio aos rachas dentro da direita expostos na última semana e divergência sobre o foco das pautas, que geraram críticas até mesmo entre os eleitores de Bolsonaro.

O mote mais difundido envolve a defesa de medidas que o governo tenta aprovar no Congresso, como a reforma da Previdência e o Projeto de Lei Anticrime, de Sérgio Moro. O Centrão deve ser o alvo principal desses manifestantes, que apontam o grupo como o vilão que impede o avanço da agenda.

Aqueles favoráveis ao presidente evitam corroborar com mensagens radicalizadas de alguns grupos que pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa, inclusive, foi a pauta que deu início às convocações.

O próprio presidente, que divulgou que não comparecerá aos protestos e orientou seus ministros a fazerem o mesmo, condenou os ataques às instituições.

Para ele, essas bandeiras “estão mais para o Maduro”, numa referência ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que enfraqueceu as instituições ao longo de seus mandatos. “Quem defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional está na manifestação errada”, disse.

Durante a semana passada, houve uma tentativa de parte dos bolsonaristas de escantear esse discurso para não esvaziar os protestos, e a ofensiva parece que funcionou.

Na sexta-feira (24), o Instituto Brasil 200, movimento de empresários liderado por Flávio Rocha, dono da varejista Riachuelo, que estava criticando as manifestações, decidiu apoiá-las publicamente. O motivo foi exatamente a “mudança da pauta”.

“Estávamos contrários porque a manifestação surgiu de forma nebulosa, com pautas com ataques às instituições e a favor do fechamento do Congresso. Somos contrários à tese revolucionária. Acreditamos que as mudanças têm de ser feitas pelas instituições”, afirmou Gabriel Rocha Kanner, que é presidente do Brasil 200.

O deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente, fez uma ofensiva nas redes para defender o protesto como “ato legítimo dos brasileiros” que apoiam Bolsonaro “diante de chantagens e traições em curso”.

Além dos empresários, dentre os simpatizantes há militares, liberais, evangélicos, “lavajatistas”, antipetistas e cidadãos comuns que se dizem fartos da corrupção e da falta de segurança no país.

Os protestos foram convocados em resposta às manifestações do último dia 15, que levaram milhares às ruas contra bloqueios nos recursos para a Educação e acabaram se tornando um ato contra o governo.

Veja um mapa com as capitais que terão protestos

Parlamentares críticos

Assim que as manifestações começaram a ganhar as redes, parlamentares aliados ao governo questionaram a necessidade de um protesto em um momento de esforço para aprovação da Nova Previdência.

O presidente do PSL, partido do presidente, Luciano Bivar, afirmou que não há sentido nas manifestações. “Nós fomos eleitos democraticamente, institucionalmente, não há crise ética, não há crise moral, estão se resolvendo os problemas das reformas, então eu vejo sem sentido essa manifestação, mas toda manifestação é válida, é um soluço do povo para expressar o que ele está achando”, disse.

A deputada estadual Janaina Paschoal também manifestou seu desconforto com os protestos. No último fim de semana, ela publicou no Twitter duas séries de mensagens explicando as suas razões. Janaina escreve que “o Governo se coloca em uma situação de imobilismo e chama as pessoas para tirá-lo do imobilismo”.

O deputado federal Kim Kataguiri, que foi um dos principais organizadores dos protestos de rua pelo impeachment da ex-presidente cassada Dilma Rousseff, passou a ser alvo de ataques de grupos bolsonaristas nas redes sociais após a recusa de participar dos atos.

Depois de apoiar Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de 2018, o MBL — que tenta criar um partido — se distanciou do governo e adotou uma agenda própria, com a reforma da Previdência à frente.

A ofensiva contra o MBL parte de grupos como Direita São Paulo, Juntos pela Pátria e Movimento Brasil Conservador, além de youtubers alinhados com o Palácio do Planalto.

Veja a lista das cidades (atualizadas até 24 de maio)