Com greve e crise de refugiados, interventor de Roraima encontra Temer

Antonio Denarium (PSL), aliado de Jair Bolsonaro, foi desautorizado ontem por Temer depois de dizer que fecharia as fronteiras aos venezuelanos

O presidente Michel Temer recebe nesta terça-feira em Brasília o governador eleito de Roraima, Antonio Denariu (PSL), para uma conversa que ganhou subiu de tom nas últimas horas. O encontro, agendado na semana passada, é para tratar não da posse do novo governador, mas de seu papel como interventor do estado, iniciado ontem.

Denarium foi nomeado interventor pelo presidente junto com o general Eduarod Pazuello, novo secretário da Fazenda, e Paulo Costa, secretário da Segurança Pública. Eles assumem no lugar da governadora Suely Campos (PP), afastada em meio a uma crise fiscal e de segurança que levou o governo a avaliar necessária sua substituição mesmo no apagar das luzes do mandato.

O interventor vai a Brasília apresentar seu plano emergencial a Temer, que consiste em pagar os salários atrasados dos servidores, alguns há quatro meses, e pedir antecipações de repasses financeiros da União para o estado. Denarium afirmou que está elaborando um Plano de Recuperação Fiscal, com o levantamento do total de dívidas com servidores e fornecedores. Pretende também fundir secretarias estaduais e extinguir cargos. O governo federal deve transferir 200 milhões de reais ao governo interino.

Os motivos que levaram à intervenção, porém, vêm levando a desencontros entre Brasília e Boa Vista. Segundo o presidente, Suely Campos compreendeu e concordou com a medida, em reunião no último sábado, em Brasília. O estopim foi uma paralisação de agentes penitenciários e o bloqueio de batalhõespelas esposas dos policiais, como protesto pelos atrasos nos salários.

O pano de fundo é a crise migratória em Roraima, um tema central na campanha deste ano. Denarium nunca exerceu cargo público e é agricultor e pecuarista. Foi eleito com a promessa de mais rigor no fluxo migratório de venezuelanos. No domingo, reafirmou a necessidade de fechar a fronteira para solucionar o que chamou de “caos”. Temer desautorizou o interventor, ontem, ao afirmar que não há restrição à entrada de venezuelanos, e que o Brasil segue uma política de apoio aos refugiados.

Denarium replicou: disse que a restrição começa em janeiro. E prometeu pagar hoje os salários atrasados. As próximas três semanas serão um teste de fogo para o novo governador, e para seu partido, o PSL, que alcançou relevantes vitórias nas eleições de outubro, mas agora precisa encarar o mundo real de um país com problemas que não têm soluções fáceis.