Com Alcolumbre interino, Planalto enfim foca óleo no Nordeste

A Marinha informou que mais de mil toneladas de óleo cru já foram retiradas da costa nordestina; a origem do vazamento ainda é incerta

Um dia após aprovar o segundo e último turno da reforma da previdência no Senado Federal, o líder da casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), assume interinamente o cargo de presidente da República. A agenda de Alcolumbre no Palácio do Planalto deve começar na tarde desta quarta-feira 23. Ele assumirá a Presidência por causa de uma combinação de viagens de autoridades que estão na linha de sucessão do presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto Bolsonaro cumpre compromissos de agenda na Ásia e Oriente Médio, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, deve viajar ao Peru nesta quarta-feira para visitar o presidente Martín Vizcarra, formalmente apoiado pelo governo brasileiro em sua disputa com o Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que seria o próximo na linha de sucessão presidencial, cumpre agenda na Europa.

A previsão é que o interino visite praias atingidas por manchas de óleo em Alagoas e Sergipe — ou seja, em poucas horas Alcolumbre mostrará mais senso de responsabilidade ambiental que Bolsonaro em dois meses. 

Na segunda-feira, a Marinha informou que já foram recolhidas cerca mil toneladas de resíduos de óleo cru nas praias do Nordeste — as autoridades não têm a menor ideia até onde o volume pode chegar. O óleo primeiro apareceu no litoral da Paraíba e se espalhou para Pernambuco, Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e, mais recentemente, na Bahia. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 72 municípios de nove estados tiveram suas praias afetadas pelo material.

Na condição de interino, a ideia de Alcolumbre é caminhar em praias de atingidas pelo óleo. Senadores e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, devem acompanhar o presidente em exercício. Alcolumbre ainda irá ao seu reduto eleitoral, Amapá, para tratar de transferência de terras da União.

Além da resposta lenta e frágil para conter o avanço do óleo, o governo ainda carece de um plano de ação mais coordenado na investigação de sua origem. Segundo o jornal O Globo, a Marinha montou uma investigação em três frentes, que inclui tráfego de navios, movimentação de correntes e aspectos químicos do petróleo. Alcolumbre, ao menos, contribuirá com o simbolismo: a presidência, enfim, considera este um evento sobre o qual é necessário se debruçar.