CNI questiona redução de tarifas para países pobres

A indústria brasileira é contra, porque teme que o benefício se torne um mecanismo de triangulação de produtos chineses

Brasília – O Itamaraty e representantes da indústria estão travando uma queda de braço. O governo quer eliminar as tarifas de importação cobradas dos países mais pobres. A indústria é contra, porque teme que o benefício se torne um mecanismo de triangulação de produtos chineses. Em carta enviada ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) recomenda “fortemente” que a implementação do programa de benefícios seja “suspensa” até que as condições do mercado externo se tornem mais favoráveis. Procurada, a CNI não deu entrevista.

Conhecido como “Duty Free Quota Free”, o programa surgiu em dezembro de 2005 na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Hong Kong. Os países concordaram em zerar as tarifas de importação cobradas dos países pobres, como Angola ou Bangladesh. Com a paralisação da Rodada Doha, ficou decidido tirar pelo menos esse acordo do papel. A lista de nações de menor desenvolvimento relativo é elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). São 49 nações: 33 africanas, 15 asiáticas e uma da América Latina, o Haiti.

Existe uma expectativa de que esse gesto de boa vontade ajude até a reativar a Rodada a partir de 2011. Fontes da indústria reclamam que o governo quer promover a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria ambições de um posto em órgãos internacionais depois que deixar o governo. Segundo o diretor do departamento econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, “não há motivos para temor da indústria”. Ele afirma que os produtos desses países, excluindo petróleo, representam menos de 0,1% das exportações brasileiras.

“É muito fácil fazer concessão com o bolso dos outros”, reclama Mário Branco, gerente de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “Produtos feitos na China podem ser enviados como da Zâmbia. E, em três meses, as máquinas podem estar efetivamente lá”, alerta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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