Clube de empreiteiras fez acordo com Duque, diz delator

Augusto Mendonça, que diz participar do "clube" de empreiteiras desde fim da década de 90, explicou que "aí sim o grupo passou a ter uma efetividade importante"

Sao Paulo e Curitiba – Em seu terceiro depoimento da semana nas ações penais da Operação Lava Jato envolvendo dirigentes das maiores empreiteiras do país no banco dos réus, o executivo Augusto Ribeiro Mendonça afirmou que o “clube” criado para afastar concorrências nas contratações da Petrobras só se tornou efetivo a partir do acordo firmado com os ex-diretores de Abastecimento Paulo Roberto Costa e de Serviços Renato Duque.

“A partir do fim de 2003, começo de 2004, esse grupo (de empreiteiras) conseguiu fazer um acordo com os diretores da Petrobras da área de Abastecimento e de Serviços, Paulo Roberto Costa e Renato Duque”, afirmou Mendonça, ao juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato.

Segundo ele, ficaram acertados pagamentos de propina de 1% para Abastecimento e 2% para Serviços.

“De modo que as empresas convidadas acabassem se restringindo às participantes do próprio grupo.”

Mendonça, que diz participar do “clube” de empreiteiras desde o fim da década de 1990, explicou que “aí sim o grupo passou a ter uma efetividade importante”.

Questionado então pelo procuradores da força-tarefa da Lava Jato se antes do acordo com Costa e Duque se houve pagamento de propina ou promessa, ele foi taxativo. “Nunca soube”.

Delator dos processos da Lava Jato, Mendonça detalhou em seu depoimento na tarde desta quarta-feira, 4, como se formou o suposto cartel que fatiava obras da Petrobras, a partir dos anos 90, como ele se efetivou depois de 2004, por meio de pagamentos de propinas a agentes públicos, e como era operacionalizada a propina intermediada por ele.

Mendonça foi ouvido nesta quarta-feira, 4, no processo contra seis executivos da OAS.

Os dois ex-diretores da Petrobras apontados por ele como autores do acordo com o “clube” foram indicados pelo PP e pelo PT, respectivamente.

O esquema criado a partir de 2004 envolvia o loteamento de diretorias da Petrobras para cobrança de propinas em grandes contratos que variavam de 1% a 3%.

O PT comandaria as diretores de Serviços, de Exploração & Produção e de Energia e Gás, o PP, Abastecimento, e o PMDB a Diretoria Internacional.

Segundo Mendonça, a OAS fazia parte do suposto cartel. Ela teria ingressado no esquema de empreiteiras do “clube” em uma segunda fase, à partir de 2006.