Minas Gerais tem ao menos 14 mortos e 16 desaparecidos após temporais

De acordo com Defesa Civil, 2.590 pessoas estão desalojadas e 911 estão desabrigadas após chuvas que atingiram estado na sexta-feira

RIO — As chuvas em Minas Gerais já deixaram ao menos 14 mortos no estado. Em Belo Horizonte e Região Metropolitana da capital, 11 pessoas não resistiram após o temporal desta sexta-feira. A Defesa Civil ainda confirmou outras três mortes: uma em Matipó, uma em Manhuaçu e outra em Pedra Bonita, na Zona da Mata. Outras 16 pessoas estão desaparecidas após a chuva forte.

De acordo com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais, 16 pessoas estão desaparecidas. Ao todo, 2.590 pessoas estão desalojadas e 911 estão desabrigadas. Trinta e seis cidades foram afetados em todo o estado.

A forte chuva provocou a morte de um bebê, de uma criança de seis anos e de uma mulher,após um barranco desabar sobre uma casa em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. As vítimas são mãe e filhos, que ainda não tiveram a identidade revelada. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ainda há uma pessoa soterrada no local.

A corporação informou que o corpo da mãe foi encontrado abraçado ao do bebê. Ao todo, três imóveis foram atingidos pelo deslizamento. Um cano da Companhia de Águas de Minas Gerais (Copasa) também se rompeu por causa das chuvas.

Em Betim, na região metropolitana de BH, um deslizamento de encosta provocou a morte de mais quatro pessoas, na madrugada deste sábado. Duas casas foram atingidas. Em uma delas, estavam um homem, uma mulher e uma criança, e na outra, um homem sozinho.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou ainda a morte de outras duas pessoas em um soterramento na Vila Bernadete, na Região do Barreiro, na capital mineira.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sobrevoou as cidades de Governador Valadares, Carangola e Manhuaçu na manhã desta sábado com representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para avaliar os danos causados pelas chuvas no interior do estado. De acordo com Zema, os pontos de atenção estão sendo monitorados, assim como todas as outras áreas de risco.

Pelas redes sociais, Zema lamentou as mortes causadas pela chuva no estado e reafirmou que os órgãos do estado trabalham para minimizar os impactos causados.

“Lamento profundamente pelas mortes ocorridas, especialmente de uma criança, decorrentes da maior chuva já registrada em toda história de Belo Horizonte e região metropolitana. Ressalto que o Governo do Estado de Minas Gerais está trabalhando e os órgãos responsáveis estão monitorando todas as regiões. É imprescindível que todos sigam as recomendações da Defesa Civil de Minas Gerais para se protegerem”, escreveu.

Dias mais chuvoso da história

Em entrevista coletiva na tarde de sexta-feira, o coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flávio Godinho, pelo menos 16 cidades foram fortemente atingidas pelas chuvas — as que mais preocupam a defesa civil são Ibirité, Raposo e Sabrá.

“Passamos de uma situação de um risco hidrológico para geológico, o que significa que as atenções estão voltadas para as encostas e que aumenta o risco de deslizamentos, já que o solo está muito encharcado. Quem estiver em casa e notar um barulho diferente, uma trinca ou uma árvore que começa a ceder, deve sair de casa e chamar a defesa civil”, disse Godinho.

Ainda de acordo com o coordenador adjunto da Defesa Civil, as cheias no município de Rio Piracicaba levaram as autoridades a transferirem 44 mulheres presas para uma outra penitenciária em Ponte Nova.

No Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do estado, dois açudes se romperam na cidade de Aricanduva e parte da comunidade foi alagada.

Em Belo Horizonte, a chuva também provocou uma série de estragos. Árvores que caíram impedem o trânsito em algumas das principais avenidas da cidade. Pelo menos cinco córregos transbordaram. Também foram registrados uma série de deslizamento.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que Belo Horizonte teve o dia mais chuvoso da história da cidade desde o início da medição climatológica há 110 anos. A capital mineira completou 121 anos em dezembro de 2019.