Chuva não reverte queda e Furnas tem recorde negativo

Das quatro usinas que operam no Rio Grande, somente a de Marimbondo registrou uma pequena alta nos últimos três dias

São Paulo – As chuvas dos últimos dias não reverteram a tendência de queda no Lago de Furnas que bateu um recorde negativo de 13 anos. Das quatro usinas que operam no Rio Grande, entre a região Sul de Minas Gerais e o Norte de São Paulo, somente a de Marimbondo registrou uma pequena alta nos últimos três dias. Ela estava funcionando com 12,33% de sua capacidade na última sexta-feira, 14, e agora este porcentual é de 13,45%.

Nas demais usinas houve redução no volume de água e em alguns casos bem consideráveis, como em Furnas – a principal delas, que agora está operando com apenas 39,11% da capacidade, bem abaixo dos 41,41% de três dias atrás. Esta usina responde por 17,46% da energia elétrica fornecida ao Sudeste e Centro-Oeste do País.

A Bacia do Rio Grande, computando as outras três usinas, é responsável por 25,8% do fornecimento de energia a essas regiões. Nas outras duas usinas a situação também é de queda na quantidade de água, tendo a de Água Vermelha recuado de 37,11% para 35,39%, enquanto que a Mascarenhas de Moraes, a única que não vem sentindo tanto a estiagem, caiu de 76,58% para 75,85%.

Nesta segunda-feira, o reservatório estava 8,5 metros abaixo do nível máximo, mas a empresa responsável pelas usinas, Furnas Centrais Elétricas, garante que a energia elétrica está sendo gerada normalmente. A companhia argumenta que, ainda assim, o nível da represa está 9,5 metros acima da cota mínima para operar e gerar energia. Por outro lado, o lago está 759,14 metros acima do nível do mar, altura bem menor que os 767,40 metros registrados há menos de dois anos.

Recorde.

A medição dos reservatórios é feita pelo ONS (Operador Nacional do Sistema) e a diminuição do nível do Lago de Furnas preocupa porque a cada ano o volume de chuva, única fonte de recuperação, tem sido menor. Agora, em fevereiro de 2014, o nível da represa chegou a um recorde negativo histórico, tendo estado em situação tão crítica somente em fevereiro de 2001, o ano do “apagão”.

Foi quando o sistema energético se aproximou de um colapso e o País se viu obrigado a racionar energia, contabilizando prejuízo de mais de R$ 50 bilhões. Se somadas todas as 17 usinas de responsabilidade de Furnas, que está presente em 15 Estados, a energia gerada corresponde a mais de 40% do total consumido pelo Brasil.