Carnaval começa com tensão acirrada entre policiais e governadores

Tiro em Cid Gomes no Ceará e reajustes dados por Romeu Zema em Minas Gerais são símbolos de uma situação em escalada

O feriado prolongado do carnaval vai começar com tensão renovada entre policiais e governantes em alguns estados brasileiros. O clima atingiu níveis de violência aberta no Ceará, onde o senador Cid Gomes foi baleado nesta semana por policiais encapuzados ao tentar invadir um quartel usando uma retroescavadeira. Mas o Ceará não é o único: há algum tipo de tensão em ao menos sete estados brasileiros.

Em Santa Catarina, por exemplo, representantes da categoria e o governo estadual têm uma reunião marcada para esta sexta-feira, 21, às 14 horas. Os policiais exigem um reajuste acima dos 12,5% sugeridos pelo governo na última negociação.

João Carlos Pawlick, presidente da Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), alega que o valor não repõe seis anos sem aumento e uma perda com inflação de 40%. “Estamos com a corda no pescoço. Se não houver reposição das perdas, será de operação padrão (ritmo de trabalho reduzido) a aquartelamento, que é quando o policial entra no quartel e não sai mais”, diz Pawlick.

Outro caso emblemático é o de Minas Gerais, um dos estados em pior situação fiscal do país e que não pagou o 13º salário de professores. Mesmo assim, acaba de conceder um aumento escalonado de 42% para seus policiais militares.

A decisão de Romeu Zema foi criticada até pelo seu partido, o Novo, que sempre colocou a responsabilidade fiscal como uma de suas marcas. Os deputados mineiros viram a brecha e estenderam o aumento para outras categorias, o que pode agravar ainda mais a situação financeira do estado, praticamente quebrado.

Na Paraíba, policiais militares paralisaram as atividades por doze horas na quarta-feira. Eles querem um reajuste de 24% ao longo dos próximos dois anos, muito acima dos 5% oferecidos inicialmente pelo governo do estado.
As partes vão tentar novo acordo em assembleia marcada para o dia 26.

Em Alagoas, os policiais ameaçam parar as atividades na quarta-feira de cinzas, quinta e sexta-feira da semana que vem. A categoria pede reajuste mínimo de 16%.

A paralisação de servidores que atuam na segurança pública estão proibidas desde 2017 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas isso não está impedindo que policiais usem desta ameaça como pressão sobre governantes.

Há ainda negociações salariais em curso em Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Neste último, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), tem tido sucesso em aprovar medidas de ajuste fiscal e que atingem também policiais. Entre elas, está uma alíquota previdenciária de 14%, autorizada nesta semana pelo ministro do Supremo Luís Roberto Barroso. O valor fica acima dos 9,5% previstos pela reforma da previdência.

O ministro observou que o Rio Grande do Sul traz dados que “evidenciam a sobrecarga de seu sistema de inatividade e pensões”. Isso é evidente há muito tempo, mas parece que continua sendo ignorado frente ao corporativismo. Insatisfeitos com as medidas, policiais se reuniram na quinta-feira para criar uma frente ampla política para inclusive ir a Brasília reivindicar mudanças.

De norte a sul, se diálogos não avançarem nesta sexta-feira, alguns destes estados brasileiros podem de fato ver parte de seu contingente policial paralisado e ter problemas sérios de segurança nos dias de feriado. Quem perde é a população.

Carnaval começa com tensão acirrada entre policiais e governadores

Tiro em Cid Gomes no Ceará e reajustes dados por Romeu Zema em Minas Gerais são símbolos de uma situação em escalada

O feriado prolongado do carnaval vai começar com tensão renovada entre policiais e governantes em alguns estados brasileiros. O clima atingiu níveis de violência aberta no Ceará, onde o senador Cid Gomes foi baleado nesta semana por policiais encapuzados ao tentar invadir um quartel usando uma retroescavadeira. Mas o Ceará não é o único: há algum tipo de tensão em ao menos sete estados brasileiros.

Em Santa Catarina, por exemplo, representantes da categoria e o governo estadual tem uma reunião marcada para esta sexta-feira, 21, às 14 horas. Os policiais exigem um reajuste acima dos 12,5% sugeridos pelo governo na última negociação.

João Carlos Pawlick, presidente da Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), alega que o valor não repõe seis anos sem aumento e uma perda com inflação de 40%. “Estamos com a corda no pescoço. Se não houver reposição das perdas, será de operação padrão (ritmo de trabalho reduzido) a aquartelamento, que é quando o policial entra no quartel e não sai mais”, diz Pawlick.

Outro caso emblemático é o de Minas Gerais, um dos estados em pior situação fiscal do país e que não pagou o 13º salário de professores. Mesmo assim, acaba de conceder um aumento escalonado de 42% para seus policiais militares.

A decisão de Romeu Zema foi criticada até pelo seu partido, o Novo, que sempre colocou a responsabilidade fiscal como uma de suas marcas. Os deputados mineiros viram a brecha e estenderam o aumento para outras categorias, o que pode agravar ainda mais a situação financeira do estado, praticamente quebrado.

Na Paraíba, policiais militares paralisaram as atividades por doze horas na quarta-feira. Eles querem um reajuste de 24% ao longo dos próximos dois anos, muito acima dos 5% oferecidos inicialmente pelo governo do estado.

As partes vão tentar novo acordo em assembleia marcada para o dia 26.

Em Alagoas, os policiais ameaçam parar as atividades na quarta-feira de cinzas, quinta e sexta-feira da semana que vem. A categoria pede reajuste mínimo de 16%.

A paralisação de servidores que atuam na segurança pública estão proibidas desde 2017 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas isso não está impedindo que policiais usem desta ameaça como pressão sobre governantes.

Há ainda negociações salariais em curso em Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Neste último, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), tem tido sucesso em aprovar medidas de ajuste fiscal e que atingem também policiais. Entre elas, está uma alíquota previdenciária de 14%, autorizada nesta semana pelo ministro do Supremo Luís Roberto Barroso. O valor fica acima dos 9,5% previstos pela reforma da previdência.

O ministro observou que o Rio Grande do Sul traz dados que “evidenciam a sobrecarga de seu sistema de inatividade e pensões”. Isso é evidente há muito tempo, mas parece que continua sendo ignorado frente ao corporativismo. Insatisfeitos com as medidas, policiais se reuniram na quinta-feira para criar uma frente ampla política para inclusive ir a Brasília reivindicar mudanças.

De norte a sul, se diálogos não avançarem nesta sexta-feira, alguns destes estados brasileiros podem de fato ver parte de seu contingente policial paralisado e ter problemas sérios de segurança nos dias de feriado. Quem perde é a população.