Cármen Lúcia: Já passou da hora do Brasil se tornar uma República

A presidente do STF declarou que a sociedade só defende os valores republicanos quando são "aplicados ao outro"

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira, 27, que “já passou da hora de o Brasil se tornar uma verdadeira República”.

Durante sessão plenária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra chegou a dizer que a sociedade só defende os valores republicanos quando são aplicados ao outro.

“No Brasil, todo mundo é republicano e a favor da República desde que o instrumento seja aplicado ao outro. Todo mundo é a favor do concurso público desde que seja para o outro fazer. Todo mundo é a favor da licitação desde que para outra empresa”, disse a ministra.

“Já passou muito da hora de o Brasil se tornar uma verdadeira República”.

Cármen Lúcia falou durante seu voto sobre a titularidade de cartórios no Rio Grande do Sul. Segundo a ministra, as disputas sobre esse assunto sobrecarregam tanto o Supremo quanto o CNJ.

Eu não conheço concurso para cartório que não seja objeto de impugnações, litigiosidade, judicialização”, disse.

O caso, analisado no CNJ, é de um tabelião que recorreu de uma liminar para que o conselho o autorizasse a permanecer à frente do cartório, mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal declará-lo vago.

O plenário, porém, negou provimento ao recurso por unanimidade.

Comentários

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  1. ROBERTO ALVES

    Sugiro, em concordância total com a tese, que iniciemos por proibir ao Poder Executivo utilizar rede nacional ou suados recursos públicos para divulgação e/ou persuasão em prol de discutíveis e suspeitas reformas em andamento no Poder Legislativo.

  2. ROBERTO ALVES

    Revendo meu comentário gostaria de afirmar o respeito e admiração que tenho pela Meritíssima Juiza ármen Lúcia, pelo brilhantismo e correção de sua atuação serena e firme nesta nossa Suprema Corte em mares tão agitados. Neste momento político de açodamento do neoliberalismo, que se afirma como verdade única, a vivência da res publica seria certamente uma bussola a indicar os melhores rumos. Nós, aqueles que prezamos por uma justiça maior e soberana, esperamos muito do Supremo, mesmo assolado pelo assédio dos corruptos e do poder econômico.