Calero: sem má-fé; Mendes minimiza…

Mendes minimiza crise do governo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, minimizou a crise vivida pelo governo federal. A polêmica surgiu depois da notícia de que o presidente Michel Temer também havia pressionado o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pela liberação do prédio onde Geddel Vieira Lima tem um apartamento em Salvador. Mendes disse que as acusações “estão sendo magnificadas” e criticou Calero por ter supostamente gravado o presidente praticando tal ato. “Nós temos crises maiores e temos desafios maiores do que um episódio relativo a um flat longínquo numa praia aí da Bahia”, finalizou Mendes.

Aécio defende Temer

O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, também saiu em defesa de Temer nesta sexta-feira. Ele disse que “nem de longe” as acusações de Calero atingem o presidente. Ele também criticou o ex-ministro pelas gravações e disse que, se elas realmente aconteceram, deveriam ser investigadas. “Isso é inaceitável, isso é inédito na história republicana do Brasil, porque permite achar que nessa conversa [o ministro] possa ter induzido qualquer palavra do presidente”, afirmou Aécio. O senador disse que não vê problema em encaminhar o caso à AGU e que só seria mais grave se o presidente tivesse feito uma determinação explícita para Calero “resolver o problema”. Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ministros, prefeitos e governadores do PSDB foram recebidos por Temer num almoço no Palácio da Alvorada.

Líder do governo se defende

O deputado André Moura (PSC-SE) esquivou-se das críticas após a demissão do ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Moura é o articulador de um movimento de deputados, com líderes de todos os partidos da base aliada, que foram até o Palácio do Planalto na terça-feira levar uma carta de apoio ao então ministro. O deputado disse que a carta estava embasada nos fatos que eram de conhecimento público até aquele momento e que novos fatos surgiram desde então. Ainda assim, Moura disse que não há motivo para desconfiar do presidente Michel Temer. “Jamais o presidente Michel iria arbitrar uma posição que não fosse dentro da legalidade. Todos nós sabemos a característica do presidente”, disse.

Aliado de Geddel é acusado de fraude

Um dos mais próximos aliados do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Leonardo Américo Silveira de Oliveira foi alvo de um mandado de condução coercitiva nesta sexta-feira em Salvador. A medida fez parte da Operação Vigilante, que apura fraudes na contratação de transporte escolar em Malhada das Pedras, cidade do interior da Bahia. O mandado foi cumprido em Salvador, mas Oliveira não chegou a ser conduzido para depor por estar em viagem para Petrópolis, no Rio de Janeiro. O prejuízo estimado com o esquema é de 3 milhões de reais.

Calero nega que tenha programado gravação

Por meio de uma nota, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse que, ao contrário de rumores disseminados pelo Palácio do Planalto, não foi ele quem solicitou a audiência com o presidente no dia que fez a gravação da conversa sobre o apartamento de Geddel. “Durante minha trajetória na carreira diplomática e política, nunca agi de má-fé ou de maneira ardilosa. No episódio que agora se torna público, cumpri minha obrigação como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições”, disse.

Manifestações protestam em 13 estados

Movimentos sociais, como MST e MTST, e centrais sindicais protestaram em pelo menos 13 estados nesta sexta-feira. A PEC do teto de gastos era a principal crítica. Em diversas cidades, vias foram fechadas e servidores públicos, professores e funcionários de algumas estatais paralisaram as atividades.

Presidente da OAB critica deputados

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, criticou nesta sexta-feira os deputados que apoiam a anistia do caixa dois em eleições passadas. Lamachia disse que os parlamentares “não podem legislar em causa própria”. Na proposta que foi discutida a portas fechadas na Câmara nesta semana, o texto explicitava que políticos não poderiam ser punidos “nas esferas penal, civil e eleitoral” caso tivessem praticado o crime antes da publicação da lei. A votação da proposta foi adiada para a semana que vem. Lamachia manifestou-se por meio de nota.