Cai mais uma peça

O governo tentou minimizar a importância das delações de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht, mas elas fizeram sua primeira vítima nesta quarta-feira. Citado, o advogado José Yunes, amigo do presidente Michel Temer e assessor especial da Presidência, pediu demissão. Em carta a Temer, Yunes disse que “em respeito à minha família, aos amigos e aos concidadãos, não posso ver meu nome enxovalhado por irresponsáveis denúncias de figurantes com quem nunca tive qualquer contato direto ou por terceiros”.

Yunes diz ainda que “seria uma honra ajudar o amigo de 50 anos a colocar o país nos trilhos, após a hecatombe que arrasou a economia”. Segundo Melo Filho, Temer pediu 10 milhões de reais para o PMDB ao ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, num jantar realizado em maio de 2014 no Palácio do Jaburu. O delator deu detalhes até da cor das cadeiras do Palácio. Parte do dinheiro, segundo ele, foi entregue em espécie a Yunes em seu escritório em São Paulo.

Mais cedo, o jornal Folha de S. Paulo havia informado que Marcelo Odebrecht confirmou à Lava-Jato a versão de Melo Filho. A informação acabou precipitando a saída de Yunes como uma tentativa de blindar Temer. Nesta quarta-feira, chegou a circular a informação de que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o secretário de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, também citados na delação, teriam entregado carta de demissão. Os dois negaram.

Temer convocou uma reunião de emergência para a noite desta quarta-feira com os principais ministros e líderes da base aliada para uma avaliação mais aprofundada do impacto da delação. Outro objetivo é acelerar ainda mais a agenda de votações e o programa econômico. A ideia é mostrar que “o governo não está parado”. Infelizmente, para Temer e seus aliados, as investigações também não.