Salles diz que Brasil preservou 84% da Amazônia por esforço próprio

Ministro do Meio Ambiente afirmou que o país deve apostar na comunicação e em mostrar que sua imagem no exterior não corresponde à realidade

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nesta segunda-feira (9) que o Brasil preservou a Amazônia por esforços próprios. “O Brasil é um país que preservou 84% da sua floresta amazônica, e fez isso pelos seus méritos próprios, com seus esforços próprios e continua preservando e defendo a floresta. Temos vários mecanismos financeiros que foram aventados internacionalmente, inclusive por ocasião do Acordo de Paris, e também do Protocolo de Quioto”.

Em coletiva, Salles afirmou que será esta a postura do país na próxima Assembleia Geral da ONU, informando ainda que o país está aberto para receber recursos. “O Brasil está aberto para receber e quer fazer a materialização desses serviços o mais rápido possível para poder militar a serviço do meio ambiente, da floresta e da preservação.”

O ministro do Meio Ambiente disse ainda que as atitudes do governo contra o desmatamento ilegal da Amazônia passam pela modernização do decreto de conversão de multas. “As tarefas de combate à criminalidade são desempenhadas sobretudo pelas autoridades policiais, dos órgãos de fiscalização ambientais, na parte de punições administrativas. Além disso, estamos modernizando, inclusive, com o a atualização do decreto de conversão de multas, dando maior celeridade ao programa”, disse.

O Decreto 9.760 introduz mudanças na cobrança de multas do governo federal sobre crimes ambientais. O texto amplia as possibilidades de converter indenizações em ações de recuperação do ambiente, por exemplo. A principal mudança introduzida no decreto estabelece que os órgãos vinculados ao Ministério do Meio Ambiente são obrigados a estimular a conciliação nos casos de infrações administrativas por danos ambientais e seguir um processo descrito no documento.

Quanto às críticas internacionais sobre o aumento das queimadas na Amazônia, Salles disse que o governo tomou todas as atitudes que poderia tomar em resposta ao aumento das queimadas e que a tendência é de controle. “O governo determinou uma inédita operação de garantia da lei e da ordem ambiental, colocando à disposição dos estados mais de 4 mil homens, diversas aeronaves, investimentos muito significativos no combate a esses focos de queimada e, também, no combate ao desmatamento ilegal”.

Questionado sobre empresas que pararam de comprar produtos brasileiros por causa das queimadas, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, disse que o Brasil deve apostar na comunicação e em mostrar que a imagem do País no exterior não corresponde à realidade.

“Nossa obrigação é esclarecer, trazer dados, o máximo de informação”, afirmou em entrevista coletiva após evento organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) em São Paulo. É “para mostrar que a situação daquilo que está sendo feito e daquilo que temos em termos de ativos e mercados no Brasil é muito distinta da que vem sendo alardeada por alguns, tanto nacionalmente quanto internacionalmente”, acrescentou.

Sobre as declarações da Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, que nesta segunda-feira voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro e a política ambiental brasileira, Salles, sem citá-la diretamente, disse: “Tomamos todas as atitudes que poderíamos tomar em resposta ao aumento das queimadas. A tendência já é de controle”, afirmou.

“O governo federal determinou inédita operação de Garantia da Lei e da Ordem ambiental, colocando à disposição dos Estados mais de quatro mil homens no emprego dessas ações por parte das Forças Armadas, diversas aeronaves, investimento significativo.”

Salles disse que países que criticam o Brasil por problemas ambientais, como o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia, já afirmaram que não cumprirão suas metas no Acordo de Paris. Já o Brasil, destacou, está no caminho para cumprir as suas.

“O mundo inteiro assumiu posições no Acordo de Paris – diria que as do Brasil foram as mais audaciosas – e estamos cumprindo de maneira exemplar. Países que apontam o dedo para nós já disseram que não vão cumprir as deles. E os vilões somos nós?”, indagou durante almoço debate organizado pelo Grupo de Lideres Empresariais (Lide) em São Paulo.

O ministro também cobrou pagamentos ao Brasil dentro do Acordo de Paris, já que o acordo prevê pagamentos de US$ 100 bilhões por ano de países desenvolvidos para países em desenvolvimento. “O Brasil pode receber crédito carbono, pagamento por serviços ambientais. Se prestamos serviços ambientais para o mundo, nada mais natural do que recebermos por ele”, afirmou, sendo aplaudido pela plateia formada por empresários, em grande parte.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)