Brasil pede ajuda de Portugal; investiga Portugal Telecom

A Procuradoria-Geral da República portuguesa recebeu pedido de autoridades do Brasil para cooperação e está investigando operações da Portugal Telecom

Lisboa – A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Portugal afirmou nesta terça-feira que recebeu pedido de autoridades brasileiras para cooperação no âmbito da Operação Lava Jato e está investigando operações relacionadas à Portugal Telecom.

“A PGR recebeu, das autoridades brasileiras, pedido de cooperação judiciária internacional, através de carta rogatória. Tal pedido insere-se no âmbito da Operação Lava Jato”, informou a PGR de Portugal, em comunicado.

A Operação Lava Jato investiga esquema de corrupção envolvendo contratos da Petrobras.

Mais cedo nesta terça-feira, o jornal português Público informou que o Ministério Público de Portugal está investigando envolvimento de políticos brasileiros e portugueses, acionistas e executivos no negócio de venda de ações da Portugal Telecom na Vivo para a Telefónica em 2010.

A operação teve como resultado o cruzamento de posições acionárias entre Oi e Portugal Telecom.

Procurada, a Oi disse que não comentaria o assunto. A Telefônica Brasil, que vende serviços sob a marca Vivo no país, não respondeu a pedidos de comentários. De acordo com a procuradoria portuguesa, a carta está em segredo de Justiça e, por isso, seu objeto e diligências relacionadas não podem ser divulgados.

“Existem investigações em curso relacionadas com a Portugal Telecom, as quais se encontram em segredo de Justiça”, acrescentou a PGR, sem dar mais detalhes.

A Portugal Telecom é a maior operadora de telecomunicações de Portugal e foi vendida em janeiro pela Oi ao grupo de mídia francês Altice. A operadora portuguesa foi afetada pelo colapso financeiro do Grupo Espírito Santo no ano passado, o que pôs fim à fusão da companhia com a Oi.

A holding Portugal Telecom SGPS, atualmente conhecida como Pharol, permaneceu com uma participação de 27,5 por cento na Oi.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, questionado na segunda-feira por jornalistas, disse que não participou de nenhuma forma de favorecimento ilícito de empresas brasileiras, nem foi pressionado para tal.