Brasil é o 2º país que mais perdeu no índice de liberdade de expressão

Atrás apenas da República Dominicana, a liberdade de expressão dos brasileiros está ameaçada no espaço público e também no online

São Paulo — Nos últimos três anos, os brasileiros viram sua liberdade de expressão declinar e atingir a 2º posição dos países que mais tiveram seu direito de manifestação cerceados.

Esse resultado é parte do relatório Agenda de Expressão (Expression Agenda, ou XPA), elaborado pela organização não governamental Artigo 19, publicado nesta quarta-feira (5), que analisa a liberdade em diversos países ao redor do mundo. 

Atrás apenas da República Dominicana, a liberdade de expressão no Brasil está ameaçada no espaço público, como em protestos, e também no ambiente online.

De fato, nos últimos anos, o país foi palco de inúmeros conflitos, principalmente, após as manifestações de junho de 2013. Naquele ano, a maior parte dos protestos em São Paulo terminou com represália da Polícia Militar.

Depois disso, os atos na época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015, os contra o atual presidente Michel Temer, em 2017, e, neste ano, contra a eleição de Jair Bolsonaro foram envolvidos em tensão.

Ameaça contra liberdade de imprensa

O relatório do Artigo 19 também considera preocupante as ameaças contra jornalistas em nível global. “Novas ameaças à segurança dos comunicadores surgiram ao lado das tradicionais: a repressão do estado, o crime organizado, os interesses comerciais, e o fundamentalismo religioso”, diz o relatório escrito por Thomas Hughes.

Neste ano, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) registrou mais de 60 episódios de violência contra profissionais da imprensa, desde janeiro. O Artigo 19, contabilizou 22 assassinatos de blogueiros, radialistas e comunicadores no interior do Brasil, entre 2012 e 2016.

O relatório também alerta para a ameaça das notícias falsas, que permeou todo o processo eleitoral tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. “Uma das principais inovações de Trump na mídia foi a popularização da alegação de “notícias falsas” nivelada em meios de comunicação críticos ou de oposição”, diz trecho do estudo.

Segundo a publicação, o declínio da liberdade de expressão no mundo todo, que segundo o estudo, já acontece há dez anos. Entre 2014 e 2017, no entanto, essa restrição se aprofundou. Hoje, a Artigo 19, a liberdade de expressão está no seu nível mais baixo em uma década.