Brasil cairá em ranking de mão-de-obra qualificada

Pesquisa de consultoria americana mostra que, apesar dos investimentos, país vai perder posições na disputa pelos melhores cérebros

Apesar dos investimentos em educação e dos esforços para melhorar o ambiente de negócios, a capacidade do Brasil de desenvolver, atrair e reter bons profissionais ficará menor nos próximos cinco anos. A conclusão é da pesquisa Mapping Global Talent, da consultoria americana Heidrick & Struggles, especializada em recrutamento de executivos, realizada em parceria com a Economist Intelligence Unit. O trabalho avaliou as condições de 30 países para cultivar mão-de-obra competente. A pesquisa também projetou como estarão essas condições em 2012. Nesse intervalo de cinco anos, o Brasil cairá da 23ª para a 25ª posição no ranking dos países avaliados, sendo ultrapassado pela África do Sul e Egito.

Talento para cultivar profissionais

2007

Posição País Nota
1 Estados Unidos 52
2 Canadá 47
3 Holanda 46
4 Reino Unido 46
5 Suécia 45
6 Alemanha 43
7 Austrália 43
8 China 42
9 França 41
10 Índia 39
23 Brasil 30

2012

Posição País Nota
1 Estados Unidos 53
2 Reino Unido 48
3 Canadá 47
4 Holanda 46
5 Suécia 45
6 China 44
7 Alemanha 44
8 Austrália 43
9 França 43
10 Índia 41
25 Brasil 29
Fonte: Mapping Global Talents

De acordo com o estudo, a distância entre o Brasil e as nações desenvolvidas também vai crescer. No ranking de 2007, a nota geral do país é 30 (numa escala de zero a 100). Já a média dos dez primeiros colocados é 44,4. Em 2012, as notas serão 29 e 45,4, respectivamente – ou seja, a diferença subirá de 14,4 para 16,4 pontos.

O Brasil não se distanciará apenas das nações mais ricas. Entre os BRIC (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China), a pesquisa mostra que o país será o único a perder pontos nos próximos cinco anos. Os demais avançarão ou, pelo menos, manterão suas posições. A China deve subir da oitava para a sexta posição do ranking nesse intervalo, elevando sua nota de 42 para 44 pontos. A Índia permanecerá no décimo lugar, mas sua nota será dois pontos maior – 41. A Rússia também ficará na 18ª posição, mas com a pontuação subindo de 33 para 34.

Onde falta talento

Para compor o ranking geral, a pesquisa comparou sete aspectos, que vão da qualidade do ensino obrigatório até aspectos mais difíceis de mensurar, como a propensão para atrair talentos do exterior.

Os números do Brasil

Quesito Posição em 2007 Posição em 2012
Classificação geral 23 25
Vantagens demográficas 5 5
Qualidade da educação obrigatória 23 23
Qualidade das universidades e escolas de negócios 25 26
Ambiente para nutrir talentos 18 19
Mobilidade do mercado de trabalho 23 23
Estoque e fluxo de investimentos estrangeiros 18 18
Propensão para atrair talentos 21 24
Fonte: Mapping Global Talents

A melhor classificação do Brasil é o 5º lugar no item “vantagens demográficas”, que avalia a porcentagem da população em idade de trabalho. Para a pesquisa, esse grupo é composto por pessoas entre os 20 e os 59 anos. A perspectiva para 2012 se manterá favorável ao país, que continuará na mesma posição, mas com nota ligeiramente maior – 14 pontos, ante os 13 de 2007. A China, líder nesse quesito, cravou 100 pontos e a Suécia, última colocada, ficou com zero.

O item mais mal avaliado do Brasil é a qualidade das universidades e das escolas de negócio, em que ficou em 25º no ranking de 2007, com tendência de cair para 26º nos próximos cinco anos. A nota também tende a se deteriorar dos atuais 12 para 10 pontos. O estudo sugere ainda que este é o tópico em que a distância entre os brasileiros e os primeiros colocados mais pode se aprofundar. No ranking de 2007, o Brasil está 26,6 pontos atrás da nota média dos dez primeiros (38,6). Em 2012, a diferença pode crescer para 29,7 pontos, já que a nota média dos líderes tende a subir para 39,7.

O trabalho também indica que o Brasil ficará para trás na sua capacidade de criar um ambiente propício ao surgimento de mão-de-obra bem qualificada. Para compor esse indicador, a pesquisa ponderou 14 dados, como a porcentagem da população com ensino superior e a proteção à propriedade intelectual. Em cinco anos, o país tende a baixar da 18ª para a 19ª posição, e sua nota pode cair de 43 para 41. Os dez primeiros colocados neste item tendem a elevar sua nota média de 54,4 para 55,5 pontos no mesmo período, ampliando a distância para o Brasil de 11,4 para 14,5 pontos.