Melhor para Brasil será um governo Bolsonaro medíocre, diz Washington Post

Para jornal americano, sucesso total ou fracasso total será desastroso para o Brasil: o melhor seria um mandato medíocre

São Paulo – Descrevendo o futuro mandato de Jair Bolsonaro a partir de 2019 como “imprevisível”, o jornal americano Washington Post vê a escolha do político do PSL pela população brasileira como um salto no escuro, um ato de fé.

O artigo do jornal, um dos mais respeitados nos EUA e famoso por seu jornalismo político, aponta três caminhos para Bolsonaro em um novo texto publicado nessa semana: desastre, sucesso, ou um cenário de polarização e “reformas parciais”.

Dentre os três, um meio-termo com Bolsonaro perdendo parte do seu apoio, mas conseguindo passar algumas leis no Congresso, é o cenário mais provável. O jornal cita que tanto o fracasso total do governo Bolsonaro quanto seu sucesso total serão desastrosos para o Brasil.

“[Ambos esses cenários] podem causar um desastre geral para o país, danificando instituições democráticas e levando o Brasil a um caminho do qual será preciso décadas para conseguir sair”, diz o artigo.

Para o jornal Washington Post, o melhor para o Brasil (e o mais provável de acontecer) será a mediocridade do mandato de Bolsonaro. “Se Bolsonaro for um líder ineficiente, mas conseguir evitar que o caos se instale, ao menos afastará o pior dos dois lados”, conclui.

Confira os três cenários possíveis imaginados pelo jornal:

Cenário 1 – Desastre

O jornal lembra a situação frágil da economia brasileira, com desemprego alto e urgência de reforma na Previdência. Nessa situação, qualquer problema econômico global encontraria um Brasil vulnerável. “O Brasil terá paciência para consertar a economia?”, questiona, lembrando que Paulo Guedes pretende forçar soluções liberais.

Outro ponto levantado pelo texto é a fragilidade política de Bolsonaro, que vem de um partido novo. O PSL pode ser o segundo partido com mais cadeiras na Câmara, mas é apenas 10% do total, já que é uma casa extremamente fragmentada, com 30 partidos representados. As alianças políticas forjadas pelo partido para chegar à presidência podem tornar a navegação pelo Congresso difícil.

Para o jornal, o estilo combativo de Bolsonaro poderia levar a conflitos com o Supremo e com o legislativo. Com exceção de sua base do eleitorado fanática e leal, muito apoio poderia evaporar com facilidade se ele falhar em aumentar a segurança e em promover reformas sociais, duas de suas maiores promessas.

“Paralisia diante de uma crise política ou econômica poderia trazer um fim prematuro ao seu governo”, analisa o texto.

Cenário 2 – Sucesso

O jornal lembra todas as polêmicas já citadas por Bolsonaro ou seus aliados, como aumentar o número de juízes no Supremo para incluir nomes favoráveis, fechar o Congresso, dar um “auto-golpe” e fechar com um soldado o Supremo Tribunal Federal.

O texto analisa que, se Bolsonaro tiver uma economia crescente a seu favor e conseguir agradar a sua base de eleitores evangélicos e conservadores, ele poderá construir uma trajetória difícil de ser parada. Nesse caso, poderia intimidar o Congresso e o judiciário.

“Se Bolsonaro chegar em 2022 com uma coalizão forte, ele poderá levar o Brasil ainda mais perto de uma democracia delegativa [ou democracia líquida], onde Congresso e judiciário estarão amplamente marginalizados”, escreve o jornal.

Cenário 3 – Reformas parciais e polarização

Para o jornal, há uma chance de Bolsonaro ser bem menos combativo e antissistema do que ele demonstra. Ele poderá, como qualquer outro presidente brasileiro após a redemocratização, ser cooptado pelo sistema, “distribuindo dinheiro federal, facilitando a passagem de leis no Congresso, mas sem ser capaz de intimidar deputados com seu apoio entre população e militares”.

Segundo o texto, nesse cenário Bolsonaro perderia seu apoio da população “anti-PT” e manteria o seu apoio entre os eleitores “linha-dura”. “Nesse caso, é provável que ele se torne um ‘Trump dos trópicos’ – largamente ineficiente, extremamente polarizante e com uma chance remota de reeleição em 2022”, escreve o Washington Post.

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