Bolsonaro e Trump: o que esperar do encontro entre os presidentes

Presidentes dos dois países, aliados ideológicos, se encontram na Casa Branca

Depois de tecer elogios nos dois últimos meses a Donald Trump, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vai se reunir, nesta terça-feira, com seu par americano, em Washington. A primeira reunião bilateral dos chefes de Estado, que terá a Casa Branca como cenário, deverá ficar marcada pela tentativa de alinhar medidas e estabelecer parcerias entre os dois países, além de debater questões regionais como a situação da Venezuela.

Os Estados Unidos e o Brasil não reconhecem o novo mandato de Nicolás Maduro e veem o líder da oposição, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela. “Temos que resolver a questão da nossa Venezuela. Aquele povo tem de ser libertado e acreditamos e contamos, obviamente, com o apoio norte-americano para que esse objetivo seja alcançado”, afirmou Bolsonaro, neste segunda-feira, 18, em um evento na Câmara de Comércio.

Outro ponto que pode estar na agenda de discussões é a guerra comercial travada por Estados Unidos e China. Paulo Guedes, ministro da Economia, já deu o tom do posicionamento brasileiro nessa disputa: “não haverá redução comercial com a China”, afirmou durante discurso em Washington. Para além disso, devem tratar de oportunidades de cooperação em defesa e politicas comerciais pró-crescimento. Para isso, o governo brasileiro considera importante fazer um acordo para evitar a dupla tributação de produtos e serviços, que aumentam os custos finais. Além disso, a ideia, segundo o jornal Zero Hora, é fechar um acordo de cooperação para facilitar investimentos, dando mais segurança jurídica para os negócios bilaterais.

Também há interesse em abordar a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Até o momento, não se debateram acordos de livre comércio entre os dois países. Os Estados Unidos têm acordos desse tipo com 20 países, entre eles, dois sul-americanos: o Chile (acordo celebrado em 2004) e a Colômbia (acordo de 2012).

Entrevista à Fox

Ontem à noite, em Washington, Bolsonaro concedeu entrevista à TV norte-americana Fox News. À emissora, o presidente negou conhecer o policial militar da reserva acusado de matar a vereadora Marielle Franco, e fez elogios aos presidente dos Estados Unidos.

Questionado pela entrevistadora sobre alegações de que ele e sua família teriam ligações com as milícias suspeitas de envolvimento na morte de Marielle, Bolsonaro reiterou que só conheceu a vereadora após sua morte, em março do ano passado, e garantiu não ter qualquer relação com o PM da reserva apontado como executor do crime, apesar de ambos morarem no mesmo condomínio no Rio de Janeiro.

O presidente acusou a mídia de tentar envolvê-lo injustamente no caso, e lembrou o atentado a faca que sofreu em setembro do ano passado, durante a campanha eleitoral, cometido por um ex-integrante do PSOL, o mesmo partido de Marielle.

Bolsonaro também foi questionado na entrevista à Fox News, que foi transmitida em inglês, sobre sua relação com Trump, e fez elogios ao presidente norte-americano. Ele também defendeu a proposta de Trump de erguer um muro na fronteira com o México para conter a imigração ilegal.

Segundo Bolsonaro, a maioria dos imigrantes não tem boas intenções ou não pretende fazer o melhor para o povo dos EUA.