Bolsonaro defende agenda pró-mercado, mas não detalha propostas em debate

Aos empresários, pré-candidato do PSL repetiu ideias como a de pôr militares em eventual Ministério e anunciou que já tem o apoio de 110 deputados

Com um discurso pró-mercado, mas sem detalhes, o presidenciável Jair Bolsonaro foi interrompido por aplausos diversas vezes no debate com pré-candidatos ao Planalto promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na capital federal.

O deputado defendeu uma agenda liberal com a ampliação do poder da iniciativa privada na economia, mas não conseguiu dar detalhes de nenhuma de suas propostas. Aos empresários, repetiu ideias como a de pôr militares em eventual Ministério e anunciou que já tem o apoio de 110 deputados.

No discurso no evento, Bolsonaro usou expressão que ficou famosa na boca de Donald Trump. “Queremos dar a grande sinalização de que nós podemos fazer o Brasil grande”, disse. Nos Estados Unidos, um dos motes de Trump era o de que é possível “Fazer a América grande de novo”.

Para o pré-candidato, o Brasil está “praticamente insolvente” diante do grande comprometimento do Orçamento com despesas obrigatórias. Com esse diagnóstico, Bolsonaro defendeu que é preciso reduzir o tamanho do Estado e é preciso discutir a Reforma da Previdência, mas criticou a proposta do também presidenciável Henrique Meirelles. “É um remendo novo em calça velha”, disse.

Mesmo ao ser questionado sobre as propostas para temas importantes para a plateia formada por empresários – como iniciativas para aumentar a competitividade da indústria ou ampliar acordos internacionais, o pré-candidato deu respostas genéricas e não forneceu detalhes.

“Será que a gente precisa entender de tudo? Quem botou o Brasil nessa situação caótica foram os economistas”, disse. “O presidente é como um técnico. Ele não vai jogar bola”, completou. “Tenho levado os problemas da economia como se fosse um dono ou uma dona de casa”, disse.

Sobre comércio exterior, por exemplo, o deputado disse que procurará novos parceiros comerciais, como Israel, e acusou o Mercosul que “passou a ser uma arma para que o nosso Brasil integre o Boliviarismo”.

Ao comentar a entrada da Venezuela no grupo, o pré-candidato disse que a ex-presidente Dilma Rousseff “tomava decisões com base na inteligência de Cuba e Venezuela”. “No caso da Dilma, mais grave que a corrupção é a questão ideológica”.

Um dos poucos detalhes fornecidos por Bolsonaro foi sobre a intenção de reduzir o número de ministérios para número próximo de 15. Um dos que passariam por fusão seria o de Agricultura com o de Meio Ambiente. Nesse ministério mais enxuto, vários escolhidos seriam militares. “Vou botar alguns generais em alguns ministérios. Qual é o problema? Governos anteriores colocavam terroristas e corruptos e ninguém falava nada”, disse.

Além da defesa, o pré-candidato disse que poderia colocar militares no ministério dos Transportes e na Ciência e Tecnologia. “Tenho falado com Marcos Pontes, o nosso astronauta, para ir para lá”, disse.

Supremo

O pré-candidato aproveitou para criticar recente decisão monocrática do ministro Ricardo Lewandowski. “Será uma liminar ideológica? Acho que é mais ideológica, para garantir emprego dos companheiros que o indicaram para lá”, disse, ao lembrar de sua proposta de aumentar o número de cadeiras no Supremo em dez. “É um recado que estou dando. Com esse supremo, vai ficar ingovernável”, disse.

Bolsonaro disse ainda que, quanto mais críticas recebe, mais provável é sua vitória no primeiro turno. “Acho que a gente tem tudo para ganhar no primeiro turno”, disse, ao comentar que vai participar “de todos os debates”.

“Estou ansioso por esse dia”, disse, ao comentar o último debate realizado pela Rede Globo. “Vamos conversar porque afinal de conta eles (TV Globo) precisam do governo”, disse.

Ao ser questionado por alguns dos industriais, Bolsonaro disse ser contra o sistema de cotas raciais na educação. “Sou contra cota; Somos iguais, somos competentes”, disse. “Os senhores podem errar comigo, com os outros já erraram”.