Bolsonaristas mudam tom no Twitter e ataque à mídia vira apoio à Lava Jato

Análise da AP/Exata mostra que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro mudaram de estratégia para conter a crise com os vazamentos

São Paulo — Assim que o site de notícias The Intercept revelou na noite dedomingo (09) uma série de mensagens privadas entre o ex-juiz federal, Sergio Moro, e o procurador responsável pela Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se mobilizaram no Twitter em defesa dos envolvidos.

Em um primeiro momento, a estratégia adotada foi atacar o mensageiro, no caso o portal e também o jornalista responsável pelas revelações, o americano Glenn Greenwald.

Houve citações hostis ao fato de que ele é casado com David Miranda, deputado federal pelo PSOL que assumiu o cargo após a saída de Jean Wyllys, enquanto o outro campo rebateu que o jornalista é vencedor do prêmio Pulitzer e já foi chamado de “renomado” pelo próprio Deltan em 2016.

Segundo um levantamento da agência de monitoramento digital AP/Exata, contudo, depois houve uma mudança na maré da reação à crise por parte dos bolsonaristas.

Uma análise numérica de publicações, entre os dias 7 e 11 de junho, mostra uma inversão na polaridade de sentimentos, com pico negativo acentuado na manhã desta segunda-feira (10).

 (AP/Exata/Divulgação)

Já nas últimas horas desta segunda-feira (10) e na manhã desta terça-feira (11), os bolsonaristas mudaram a narrativa e passaram a ignorar o mérito das revelações e defender a atuação da Operação Lava Jato.

De fato, a estratégia foi observada pelos usuários do Twitter nesses últimos dois dias. No dia seguinte às reportagens, as hashtags #VazaJato e #MoroCriminoso ficaram entre os assuntos mais comentados da rede social. Na noite de ontem, se destacaram a #EuApoioaLavaJato e #EuToComOMoro.

Alguns exemplos podem ser vistos na conta da deputada federal Joice Hasselmann, líder do governo no Congresso, e Do senador Álvaro Dias, candidato à Presidência no ano passado.

Reforma da Previdência

De acordo com a análise da AP/Exata, um dos argumentos citados como suposta motivação para os vazamentos do The Intercept seria a intenção de prejudicar o andamento da reforma da Previdência.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez essa mesma sugestão durante um evento: “Não é coincidência que estoura essa bombinha toda hora. Toda hora estoura uma vendo se paralisa a marcha dos eventos”, disse.

A ideia também ganhou eco no Twitter:

O relator da reforma da Previdência na Comissão Especial, Samuel Moreira, marcou a entrega do seu parecer para quinta-feira (13).

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