BC: sistema financeiro manteve solvência no 2º semestre

Essas são as principais conclusões do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), referente ao segundo semestre de 2010, divulgado hoje pelo Banco Central

São Paulo – O Sistema Financeiro Nacional (SFN) apresentou no segundo semestre do ano passado rentabilidade satisfatória e a solvência permaneceu robusta. Os testes de estresse mostraram que, mesmo em cenários extremos de deterioração da situação macroeconômica, o Índice de Basileia do sistema se manteria superior ao estabelecido na regulamentação. O aumento da exposição ao risco dos ativos, principalmente pela expansão da carteira de crédito, foi acompanhado pela incorporação de lucros, mantendo a suficiência e a qualidade da base de capital.

Essas são as principais conclusões do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), referente ao segundo semestre de 2010, divulgado hoje pelo Banco Central. De acordo com o documento, o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) funcionou de forma adequada, considerando-se os aspectos de risco e de eficiência.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos países desenvolvidos, o cenário para a economia brasileira continuou positivo, marcado por forte expansão da atividade econômica e do crescimento do crédito. No período, avalia o BC no relatório, os bancos captaram recursos suficientes para continuar a financiar a expansão das carteiras e, ao mesmo tempo, manter estoques elevados de ativos líquidos.

O crescimento do crédito às famílias foi sustentado por modalidades de menores taxas e risco e com prazos mais longos, contribuindo, portanto, para a relativa estabilidade do comprometimento de renda com o serviço da dívida. Por outro lado segundo o BC, o acelerado e contínuo crescimento do crédito motivaram a publicação de um conjunto de medidas de natureza macroprudencial com o objetivo de mitigar potenciais riscos à estabilidade do SFN, propiciando a continuidade do desenvolvimento sustentável do mercado de crédito.

De acordo com o relatório, em função das atuais condições de capitalização e liquidez se espera que os bancos brasileiros sejam capazes de se adaptar às novas medidas regulatórias que estão em curso, sem que ocorram mudanças relevantes em suas em suas estratégias de negócios. Entre as mudanças de curto e médio prazos, o BC citou as recomendações de Basileia III; a elevação do requerimento de capital para determinadas modalidades de operações de crédito; a redução gradual do limite para captação de depósitos com garantias especiais; e a alteração dos procedimentos para a classificação e o registro contábil de operações de venda ou de transferência de ativos financeiros.