Barroso: Reação ao combate à corrupção vem de quem quer seguir desonesto

Para o ministro, a corrupção no Brasil ao longo dos últimos anos não foi fruto de falhas individuais, mas resultado de processos sistêmicos

Rio de Janeiro – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira que há no Brasil movimentos de reação ao combate à corrupção por dois grupos: os que não querem ser punidos e os que querem se manter desonestos.

“Hoje, no Brasil, nessa reação às transformações (no combate à corrupção), há dois lotes. O lote dos que não querem ser punidos pelos malfeitos que fizeram, o que consigo entender, é da natureza humana”, disse ele em palestra feita num seminário no Rio de Janeiro.

“Tem um lote pior, o dos que não querem ser honestos nem daqui pra frente e gostariam que tudo permanecesse como está. É gente que não sabe viver sem que seja com o dinheiro dos outros, sem que seja com dinheiro desviado”, disparou.

Para o ministro, a corrupção no Brasil ao longo dos últimos anos não foi fruto de falhas individuais, mas resultado de processos sistêmicos e endêmicos, uma vez que no Brasil há “quase um fenômeno profissional de arrecadação de dinheiro”.

O STF pode se reunir na quarta-feira para discutir ações que questionam a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, apontada como importante pelos investigadores da operação Lava Jato.

Se ocorrer na quarta, a análise será feita dias depois da prisão, no sábado, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após condenação em segunda instância no processo sobre o tríplex no Guarujá.

Barroso destacou que as transformações no combate à corrupção no Brasil estão atingindo pessoas que até então se sentiam imunes à Justiça.

“A reação é muito evidente. As transformações estão atingindo pessoas que sempre se julgaram imunes e impunes, e, por essa razão, achavam que o direito penal nunca ia chegar a elas… que cometeram uma quantidade inimaginável de delitos”, avaliou o ministro.

Segundo ele, o que se viu no Brasil nos últimos anos foi um modo estarrecedor de fazer política. No entanto, o ministro disse acreditar que a sociedade brasileira está menos passiva e “parou de varrer a poeira para debaixo do tapete”.

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