Atletas perdem local de treino 2 anos antes das Olimpíadas

A transformação do estádio Célio de Barros em estacionamento deixou atletas de elite do Rio de Janeiro sem local para treinar, 2 anos antes das Olimpíadas

Rio de Janeiro – A transformação do estádio de Célio de Barros em estacionamento do Maracanã deixou sem local para treinar os atletas de elite do Rio de Janeiro, dois anos antes dos Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão na capital fluminense.

“Sentimos uma grande decepção pelo desprezo com que estamos sendo tratados tanto por políticos, como por dirigentes do Comitê Olímpico e pelo Comitê Organizador dos Jogos”, disse à Agência Efe o presidente da Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Lancetta.

“O Célio de Barros foi tombado pelo patrimônio histórico e eles têm que construir um novo estádio no mesmo local. É um único compromisso, mas eles estão adiando está construção, dizendo que isso só vai acontecer depois dos Jogos Olímpicos”, completou o dirigente.

O governo do estado decidiu acabar com a pista e parte da estrutura do Célio de Barros – mantendo só as arquibancadas -, para transformá-lo no estacionamento de carros oficiais do Maracanã durante a Copa do Mundo.

Desde então, apesar dos protestos, os atletas cariocas vem peregrinando para conseguir treinar, situação que se agravou com o fechamento do Engenhão, para reformas da cobertura .

“A maior parte dos nossos atletas não treinam mais no Rio de Janeiro, porque não tem local apropriado de treinamento. As pistas, na maioria, são pistas de iniciação”, explicou Lancetta, que ainda admitiu que inúmeros atletas de ponta estão se preparando fora do país.

As obras no Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro, na zona norte da cidade, começaram um ano atrás, para atenuar um erro no projeto que estaria pondo em risco a estabilidade da cobertura em caso de fortes ventos. Com previsão de conclusão para novembro, o Engenhão, no entanto, não é considerado o local ideal.

“O Célio de Barros é o único estádio de atletismo do Rio de Janeiro. O Engenhão, embora seja um estádio de atletismo, também é um estádio de futebol, e no país onde a monocultura é o futebol, sempre se dá prioridade ao futebol”, afirmou o presidente da federação estadual.

Consultados pela Agência Efe, tanto o Comitê Organizador Local, como o Comitê Olímpico Brasileiro não fizeram, por diferentes motivos, nenhuma declaração sobre o assunto.

Bicampeã brasileira do heptlato, Tamara Alexandrino, admitiu a decepção pelos acontecimentos no Rio. Segundo a atleta, a expectativa era que a cidade só teria a ganhar com a realização dos Jogos Olímpicos.

“Quando o Rio de Janeiro foi escolhido sede, a gente ia ganhar benefícios, ter mais apoio. Mas depois que destruíram o Célio de Barros, eu vi que a meta deles não é ter atletas olímpicos aqui. Isso vai se refletir não só comigo mas com todos os atletas. É um desgaste tremendo para a gente ter que ficar se deslocando para vários lugares de treinamento”, lamentou.

A jovem de 20 anos, que espera disputar na capital fluminense a primeira edição de Jogos Olímpicos, admitiu que avaliou a possibilidade de treinar fora do Brasil.

“Tive muitas oportunidades de ir treinar no exterior mas, por enquanto, fico, porque no fundo tenho a esperança que, com a realização dos Jogos, as coisas finalmente mudem”, disse Tamara.

Daniel Duarte, atleta dos 200 e 400 metros rasos, é considerado uma promessa do atletismo fluminense e treina atualmente na Vila Olímpica Professor Manoel José Gomes Tubino, inaugurada em 2010 no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste da capital.

O jovem lamenta não ter possibilidade de participar de atividades em um

Para mim é uma pena muito grande o Célio de Barros, porque é um estádio muito grande, muito antigo, em que já houve diversas competições importantes. Diversos atletas olímpicos já participaram de competições lá. Isso é triste para todos nós cariocas.

Ex-atleta e hoje treinadora, Liliana Lohmann, garante que os dois últimos anos foram de muita dificuldade, e que nem mesmo o esforço dos jovens atletas farão com que tantas adversidades sejam deixadas para trás.

“Eu sei que nossos atletas são talentosos, e que nós temos condições de fazer grandes adaptações, porque nosso povo aprendeu assim, mas acho que esse jeitinho não é o suficiente para garantir os resultados necessários. E uma vez que isso ocorre, nós entendemos que a cobrança será muito grande sobre os atletas, porque as pessoas não estão a par dessas dificuldades”, afirmou.