As primeiras horas, as últimas horas

São as últimas horas do governo de Dilma Rousseff? Na quarta-feira o plenário do Senado deve votar o relatório da comissão especial a favor do impeachment, aprovado na sexta-feira 6. Se 41 ou mais senadores votarem a favor, a presidente petista será afastada por até 180 dias até que o Senado investigue e julgue se ela deve ou não ser afastada do cargo em definitivo. Uma vitória do governo é improvável: as principais estimativas apontam para 50 votos a favor do impedimento.

Com isso, o vice-presidente Michel Temer assumiria imediatamente. A expectativa é de anúncios importantes já nos primeiros dias. Um dos primeiros deve ser de cortes nos cargos do Palácio do Planalto, além do anúncio oficial de alguns ministros, entre eles o economista Henrique Meirelles para a Fazenda. Para as pastas ainda em aberto, as especulações devem atingir seu ápice — vale lembrar que corre na Câmara um pedido de impeachment do vice, que pode ser usado para pressioná-lo nas nomeações.

No Congresso, segue o impasse sobre a nova liderança da Câmara após o afastamento do ex-presidente Eduardo Cunha. Waldir Maranhão, que prometeu “surpresas” no comando da Casa, segue à frente do cargo. Existe uma articulação para forçar sua renúncia. A oposição quer novas eleições, por entender que com o afastamento judicial de Cunha a vaga ficou aberta. Temer, segundo interlocutores, quer mantê-lo onde está. Para ele, quanto menos rebuliço na Câmara, melhor.

A Lava-Jato traz mais indefinições para os próximos dias. Temer estuda até fazer uma defesa da operação em seu primeiro discurso como provável novo presidente. Tanto o PMDB quanto o PT devem ser impactados daqui para frente. Durante o final de semana, o jornal Folha de São Paulo revelou que o empresário Marcelo Odebrecht acusou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega de usar o BNDES para pedir propinas para campanhas. Entre os possíveis novos investigados estão os senadores peemedebistas Romero Jucá, Edison Lobão, Valdir Raupp e Renan Calheiros, além presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ). A temperatura não deve cair tão cedo em Brasília.