As previsões de 5 consultorias para o impeachment de Dilma

Para 4 consultorias e uma gestora de recursos, o cenário da possível derrubada de Dilma se torna cada vez mais real. Veja a análise dos especialistas.

São Paulo – Em questão de horas, o Brasil verá o desfecho de mais um capítulo do processo que pode destituir Dilma Rousseff (PT) da presidência da República. 

Neste domingo, se dois terços dos 513 deputados federais votarem a favor do impeachment, o processo seguirá para apreciação do Senado, que decide se abrirá o julgamento da ação contra a presidente. 

Nesta etapa, caso a maioria simples da Casa (41 dos 81 senadores) seja favorável à abertura do processo, a petista é afastada do cargo por 180 dias e Michel Temer, o vice-presidente, assume o posto. 

Consultorias e analistas de mercado consultados por EXAME.com consideram a aprovação do processo na Câmara como certa. Já a probabilidade de Dilma deixar o Palácio do Planalto tem aumentado gradativamente nos últimos meses.

Em dezembro do ano passado, por exemplo, a consultoria Arko Advice calculava o risco de Dilma sofrer o impeachment em 45%. Passados quatro meses, a Arko elevou o número em 20%. 

Ela não é a única. 

Com a velocidade em que a gangorra política tem se intensificado, o cenário da possível derrubada de Dilma se torna cada vez mais real. Para 4 consultorias e uma gestora de recursos, a chance do impeachment já supera 65%.

Veja a análise pontual dos especialistas. 

Consultoria Pulso Público

Há duas semanas, os sócios da Pulso Público previam um cenário otimista para presidente: para eles, o governo não precisaria recorrer nem mesmo a todos os votos possíveis dos principais partidos de sua base aliada para barrar o processo na Câmara.

Hoje, a postura da consultoria é outra. 

“A probabilidade do impeachment cresceu muito com as defecções de PP, PRB e PSD”, diz Vitor Oliveira, um dos sócios da Pulso Público. “Entendemos que o governo não aproveitou o espaço para fechar o apoio das bancadas e dificilmente garantirá os votos necessários”.

Segundo o analista, em um cenário em que Dilma sobreviva ao processo, o governo seria obrigado a lidar com um apoio minoritário no Congresso Nacional. 

Em termos práticos: uma base parlamentar pequena se traduz em uma grande dificuldade para desenvolver políticas públicas e aprovar projetos de lei.

Caso a presidente seja impedida – e crave o fim da saga de 13 anos do PT no poder – a consultoria avalia que o vice, Michel Temer, não teria dificuldades em compor um parlamento para o seu governo.

“Temer é um político experiente e hábil. Porém, um cenário de impeachment traria dificuldades fatais para a superação da crise econômica do país”, afirma Marcelo Issa, sócio da consultoria. 

Existe ainda a hipótese de que o próprio governo envie uma proposta de emenda constitucional para convocar novas eleições em outubro deste ano. Há relatos de que Dilma já estaria articulando nos bastidores essa alternativa. No entanto, para ser aprovada, a proposta precisaria ser aceita por maioria na Câmara e no Senado – ambas Casas são dominadas pelo PMDB, a legenda que mais teria vantagem com o impeachment de Dilma já que Temer assumiria a Presidência.

Consultoria Prospectiva

O sócio-diretor da Prospectiva, Saulo Porto, diz que apesar dos votos já declarados, é preciso considerar que a decisão está sujeita a mudanças. “Estamos falando de pessoas” afirma. “Nenhum dos dois lados pode dizer que tem a situação definida. Inclusive a oposição”, diz Porto sobre a votação desde domingo na Câmara dos Deputados.

Segundo a consultoria, uma coisa está certa: se passar no plenário da Câmara, dificilmente o processo será barrado pelos senadores na próxima etapa. 

O cálculo da Prospectiva revela que a chance de aprovação no Senado é de 70%. Neste caso, vale lembrar que Dilma seria afastada imediatamente do cargo por 180 dias. 

O especialista enxerga que é provável que a defesa de Dilma tente barrar a votação no Senado com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) – como a de quinta-feira (14), que pedia anulação da sessão deste domingo, mas foi negada pela maioria da Corte. 

Garde Asset Management

Na análise de Marcelo Giufrida, sócio da gestora de recursos Garde  e ex-presidente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o mercado aponta para um consenso favorável ao impeachment. 

“A possibilidade de a presidente ser impedida está na ordem de 90%”, afirma.

Segundo Giufrida, permanecendo como chefe de Estado, Dilma dificilmente conseguiria tirar o Brasil da atual recessão econômica. “Um presidente que passa por um processo de impedimento se coloca em uma situação muito frágil”, afirma. 

A aposta da gestora de recursos é que um possível governo Temer impulsione os investimentos e, em consequência, movimente a economia brasileira. “Temer vai ter apoio parlamentar suficiente para aprovar medidas no congresso”, diz. “ Uma nova agenda e um novo governo podem melhorar o avanço econômico”. 

Consultoria Arko Advice

Para o sócio e vice-presidente da Arko, Cristiano Noronha, é importante lembrar que o processo do impeachment não acaba na Câmara dos Deputados. “A chance, no entanto, do pedido ser aprovado neste domingo gira em torno 75%”.

Nesta segunda-feira (11), a consultoria aumentou o risco de a presidente ser destituída de 60% para 65%. 

O prognóstico da consultoria diz ainda que as perdas parlamentares estão concentradas no lado governista. “A cada dia que passa o governo se torna menos sereno e consistente em sua defesa”, descreve o relatório da Arko divulgado nesta semana.

Segundo Noronha, o governo tem observado – de perto – cada ângulo das etapas do processo. “O menor sinal de desobediência às regras estabelecidas pelo Supremo, promete apresentar novos questionamentos jurídicos”.

Consultoria Tendências

O cientista político e analista da Tendências Rafael Cortez concorda com o retrato previsto pelas demais consultorias. “A hipótese de afastamento da petista é de 70%”, diz.

A saída do PMDB da base aliada foi o elemento principal para a debandada das outras bancadas partidárias. 

Ainda assim, de acordo com a consultoria, a polarização em torno da interrupção forçada de Dilma foi afetada por dois fatores centrais: a delação premiada da Andrade Gutierrez e a decisão da Procuradoria-Geral da República em suspender (por liminar) a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. 

Para o especialista, o tombo de Dilma funcionaria como uma espécie de choque no sistema político do país. “Uma simples mudança de presidente teria um efeito nas expectativas suficiente para reaquecer a economia”, relata o relatório semanal da Tendências. 

Ainda assim, com o possível desfecho, o novo governante precisaria “implementar políticas ambiciosas para reconstruir um nível estável de crescimento econômico”, diz a avaliação.