As novas fronteiras da Lava-Jato

Como adiantaram os procuradores da Lava-Jato no dia que apresentaram a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a operação não deve se expandir mais para cima – Lula seria o líder –, mas continuará correndo para os lados. Ontem, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que teria pedido doações ilegais de 5 milhões de reais para o empresário Eike Batista e 7 milhões para a empreiteira Mendes Júnior. Mantega foi solto 5 horas depois porque acompanhava uma operação de sua mulher no Hospital Albert Einstein.

O procurador Carlos Fernandes dos Santos Lima, um dos responsáveis pela Lava-Jato, disse em coletiva que “estamos, sim, em um momento de afunilamento, mas a Lava-Jato é muito maior do que a Petrobras”. A prisão de Mantega põe uma peça importante no quebra-cabeça da operação. Além do BNDES e da Fazenda, onde ficou quase dez anos, o ex-ministro também comandou o Planejamento e foi presidente do Conselho da Petrobras entre 2010 e 2015. A bolsa de apostas aponta que o BNDES deve ser um dos próximos alvos da operação, assim como o ex-ministro Antonio Palocci.

Uma possibilidade que se abre é a de Mantega aderir à delação premiada. Ele já foi aconselhado por amigos, família e advogados a contar o que sabe. O PT teme uma delação do ex-ministro mais do que de João Santana e sua mulher, Mônica Moura, porque ele seria um dos articuladores do esquema de corrupção, e não apenas um beneficiado, como é o caso do casal de marqueteiros. De acordo com petistas, Mantega não tem o perfil do ex-ministro José Dirceu, que mesmo preso há muito tempo não dá o menor sinal de que possa falar. Caso Mantega volte a ser preso, o que não está descartado, as coisas podem se complicar ainda mais para o partido.