Apps e sites para auxiliar eleitores atingem 5 milhões de interações

Numa eleição em que o poder da tecnologia e da internet vai ser posto à prova, cresce número de iniciativas para ajudar eleitor a conhecer os políticos

A campanha eleitoral só começa oficialmente nesta semana, mas o pleito deste ano já está sendo considerado como o mais impactado pela internet de nossa história –para o bem e para o mal. Num cenário de financiamento de campanha reduzido e pouco tempo de televisão para a maioria dos candidatos, um eventual protagonismo das redes sociais preocupa pela facilidade com que as notícias falsas são compartilhadas e propagadas no Facebook, no WhatsApp e no Twitter.

Para uma série de iniciativas digitais, no entanto, a internet e a tecnologia podem deixar de ser as vilãs da história ao ajudarem a responder problemas da política brasileira, como o distanciamento entre os eleitores e os políticos.

Um estudo do aplicativo Poder do Voto, obtido com exclusividade por EXAME, mapeou 30 sites e aplicativos que monitoram políticos, acompanham leis e votações, ajudam na escolha de candidatos e trabalham com educação política. Segundo o “Monitor Democracia 2.0”, essas iniciativas já alcançaram pelo menos cerca de 5 milhões de interações (por meio de downloads ou visualizações das páginas) com os eleitores até junho deste ano, o equivalente a cerca de 3% do eleitorado brasileiro.

“A tecnologia está presente em todo lugar.  A ideia do monitor é articular todas essas ferramentas, organizar e mostrar esse poder da sociedade civil, no qual a tecnologia está presente para responder nossas questões”, afirmou Mário Mello, CEO e fundador do Poder do Voto, em entrevista à EXAME.

Divulgação
DEMOCRACIA 2.0: Estudo mapeou iniciativas digitais que usam a tecnologia para fiscalizar políticos, monitorar votações e ensinar sobre política

Iniciativas

Segundo Paulo Dalla Nora,  co-fundador do Poder do Voto, das 30 iniciativas mapeadas, sete tiveram seus aplicativos lançados neste ano.

O Poder do Voto, disponibilizado no final de julho, permite que o eleitor acompanhe até três senadores e um deputado em votações de projetos de leis na agenda do Congresso. Primeiro, o próprio usuário vota a favor ou contra as propostas (cada uma delas é avaliada por entidades de diferentes posições políticas, como a União Geral dos Trabalhadores e o Instituto Millenium).

Depois, o eleitor pode ver como votaram seus políticos, para saber se estão em “sintonia”. O app também permite que o eleitor mande mensagens aos parlamentares referentes às leis em pauta.

Entre as iniciativas levantadas pelo estudo, a que mais faz sucesso é o “Detector de Ficha de Político”, criado pelo Instituto Reclame Aqui em parceria com a agência Grey, que tem cerca de 1,4 milhões de downloads. O app permite buscar o nome ou tirar a foto de um político para verificar se ele é alvo de inquéritos na Justiça por corrupção e improbidade administrativa. O destaque da Operação Lava Jato e a proximidade da eleição ajudam a entender o sucesso. Segundo o estudo, as iniciativas que mais tiveram alcance foram as de apoio à escolha de candidatos, como o Detector.

Num verdadeiro oceano de candidaturas, faz sentido. O prazo para o registro de candidaturas no TSE termina nesta quarta-feira. Até agora, o tribunal já registrou 9.885 pedidos de registro para todos os cargos. Só para deputado federal são 3.199 candidaturas, o equivalente a mais de 6 candidatos por vaga.

Outra categoria de sites e aplicativos levantada pelo estudo é a de iniciativas que ajudam no monitoramento de políticos com mandato. Uma das mais antigas é o Monitora Brasil, lançada em 2014. O aplicativo já teve mais mais de 100.000 downloads e o site, mais de 630.000 visualizações.

A plataforma reúne dados da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do TSE para mostrar ao eleitor informações como assiduidade dos parlamentares, gastos do gabinete, projetos de leis propostos e evolução patrimonial.

“As bases da Câmara e do Senado têm todos esses dados, só não amigáveis de navegar. Resolvemos montar um aplicativo que reunisse o maior número possível de informações para colocar isso na palma da mão do cidadão comum, de forma que ele possa entender e se interessar mais sobre a política”, diz o cientista da computação Geraldo Figueiredo, um dos criadores do Monitora.

Em comum, todas essas iniciativas funcionam por meio de doações ou trabalho voluntário dos fundadores e colaboradores –nada de monetizar as plataformas com anúncios ou planos de assinatura. O objetivo principal também é sempre o mesmo: facilitar a vida do eleitor.