Após reeleição de Dilma, petistas miram debate sobre mídia

A disputa marcada na reta final por uma denúncia da revista Veja deixou petistas estimulados a debater um novo marco regulatório para a mídia no país

Brasília – A disputa acirrada e marcada na reta final por uma denúncia da revista Veja deixou petistas que cercam a presidente reeleita Dilma Rousseff estimulados a debater um novo marco regulatório para a mídia no país.

Um dos coordenadores de campanha da presidente, o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, disse a jornalistas que essa é uma agenda clara que emergiu do processo eleitoral.

“Na minha opinião, há uma agenda que sai do processo eleitoral clara, que é um amplo debate sobre o papel dos meios de comunicação”, disse Rossetto.

“A conduta da revista Veja exige uma avaliação, a Justiça Eleitoral condenou essa conduta por mais uma vez. E as experiências democráticas exigem avaliações permanentes de todas as instituições e de todos que participam desse processo”, acrescentou o coordenador de Dilma.

A revista Veja antecipou a circulação de sua edição semanal e publicou reportagem baseada em depoimento do doleiro Alberto Yousseff no processo de delação premiada em que ele teria dito que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente tinham conhecimento de um esquema de corrupção na Petrobras. A reportagem irritou os petistas e a presidente, que prometeu processar a revista.

A campanha temia que a denúncia tivesse impacto eleitoral e desequilibrasse a disputa a favor do candidato do PSDB, Aécio Neves, na reta final da campanha.

O TSE concedeu direito de resposta à presidente no sábado. E na sexta-feira o TSE também tinha impedido a revista de divulgar a reportagem na sua conta no Facebook.

Um outro importante assessor da presidente afirmou que o debate sobre um novo marco regulatório da mídia, que inicialmente envolveria apenas a questão societária dos meios de comunicação, ganhou força no governo e no círculo próximo à presidente após o episódio recente envolvendo a Veja. “Isso nos faz pensar mais sobre essa tema”, disse o assessor à Reuters sob condição anonimato.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, também esbravejou contra a denúncia da revista e disse que ela não deveria ser levada em conta por se basear em declarações de “um bandido”. Ele também defendeu um novo marco regulatório para a mídia.

A presidente Dilma foi reeleita neste domingo com 51,64 por cento dos votos válidos, ou 54,5 milhões, enquanto Aécio teve 48,36 por cento, ou 51 milhões de votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).