Após reafirmar lealdade a Alckmin, Doria vai ao Tocantins

A segunda viagem de Doria em dia de trabalho reforça a ideia de que ele tem pretensões reais de abandonar a prefeitura de São Paulo

Às 21h30 deste domingo o prefeito do São Paulo, João Doria (PSDB), divulgou um vídeo ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), em que reitera a lealdade com seu padrinho político. É uma tentativa de contradizer o óbvio e mostrar que não está se movimentando para as eleições de 2018.

Pois nesta segunda-feira Doria deixa a capital mais uma vez nesta para nova viagem pelo Brasil. O tucano embarca às 7h30 com destino ao Tocantins para o 2º Encontro Estadual do PSDB na Assembleia Legislativa do estado, em Palmas. Há uma semana, Doria foi a Salvador, capital da Bahia para encontro semelhante com o prefeito ACM Neto (DEM).

Recebido com ovos em Salvador, Doria segue afirmando que sente-se renovado. A reação rápida ao incidente na Bahia, vinculando o protesto à “intolerância” de manifestantes de esquerda, foi comemorada por seus assessores. Uma das estratégias do prefeito para ganhar corpo com o público é se colocar como saída antipetista. Nesta segunda-feira, às 10h30, Doria tem um encontro marcado com o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB). O partido de Amastha é próximo dos tucanos em São Paulo e seria um importante aliado em 2018. O relacionamento foi costurado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem Márcio França (PSB) como vice.

O evento do PSDB terá participação de Doria em seguida, para encerramento e filiação simbólica de 20 prefeitos recém-eleitos no estado e com presença de 300 tucanos de cargos que vão de vereadores a deputados federais e estaduais. Dali, o prefeito paulistano parte para almoço com lideranças políticas e, logo depois, uma palestra para empresários do Tocantins. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), o mesmo que quase trocou tapas com Randolfe Rodrigues (Rede-AP) durante discussão da reforma trabalhista, é o responsável por levar Doria ao estado.

A segunda viagem de Doria em dia de trabalho reforça a ideia de que ele tem pretensões reais de abandonar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem para disputar o Planalto. Ao fazê-lo, abre duelo com seu padrinho Alckmin. O governador trabalha quieto para jogar água na candidatura. Tenta antecipar o anúncio do candidato tucano para 2018 para a reunião da Executiva no fim de 2017. Doria quer mais tempo, para evitar desgaste com os eleitores paulistanos. É provável que contará com ajuda de Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP). O primeiro, baleado pela Operação Lava-Jato, tem que se manter forte politicamente. O segundo ainda sonha em ser opção contra Doria e Alckmin.