Os riscos do centrão para a campanha de Alckmin

Mesmo que tucano transforme o apoio em vitória eleitoral, ainda corre risco de ver agenda refém de siglas conhecidas por voracidade por fatias do poder

São Paulo – O apoio dos partidos do chamado blocão ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, é importante por dar ao tucano instrumentos relevantes para a campanha eleitoral, mas embute riscos de imagem à candidatura do ex-governador paulista e está longe de colocá-lo em situação confortável para vencer a eleição de outubro.

E, mesmo que o tucano e seus aliados mais próximos consigam transformar a vantagem de infraestrutura advinda com o apoio do grupo de legendas em vitória eleitoral, Alckmin ainda corre o risco de, se for instalado no Palácio do Planalto, ver sua agenda legislativa refém de uma base formada por siglas conhecidas por sua voracidade por cargos, recursos e fatias do poder.

“Esses partidos trazem eleitores, votos, para o Alckmin? Eles não trazem votos. Não é uma coisa automática”, disse à Reuters o cientista político do Insper Carlos Melo.

“Ele está adquirindo instrumentos de campanha eleitoral: tempo de televisão e capilaridade. Isso vai se transformar em voto? Essa é a primeira pergunta que se tem que fazer”, acrescentou.

Após reunião com Alckmin em São Paulo na quinta-feira, as lideranças dos partidos do blocão –PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade– decidiram fechar apoio a Alckmin na eleição presidencial, mas o acordo, que deve ser anunciado na próxima semana, só será formalizado após o que o presidente de uma dessas siglas chamou de fazer o “dever de casa”, ou seja, alinhar palanques regionais nos Estados.

Se emplacar a aliança com o blocão, Alckmin –que já tem o apoio formal do PTB e está praticamente fechado com PSD, PPS e PV– terá o maior tempo na propaganda eleitoral no rádio e na TV, mecanismo historicamente importante em eleições presidenciais no Brasil.

Ativo e passivo

Ao mesmo tempo, ele atrairá para sua campanha partidos que foram da base de apoio ao presidente Michel Temer, cujo governo é amplamente rejeitado pelo eleitorado, e que têm várias de suas lideranças envolvidas em escândalos de corrupção que vão desde a Lava Jato até o mensalão.

“O Alckmin ganhou um ativo e contraiu um passivo”, avaliou Melo. “Ao mesmo tempo que o centrão te dá tempo de televisão, ele te dá desgaste de imagem. A identificação com o governo Temer só seria maior se o MDB entrasse.”

De acordo com o presidente de um dos partidos do blocão que confirmou o acordo à Reuters sob condição de anonimato, o acerto inclui apoio tucano à reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados.

Além disso, os partidos do blocão indicarão o empresário Josué Gomes da Silva, dono da Coteminas e filiado ao PR, como vice na chapa de Alckmin, e há relatos de que os partidos do blocão também cobrarão apoio para emplacar o presidente do Senado a partir de 2019.

De acordo com analistas ouvidos pela Reuters, esse cenário impõe a Alckmin o risco de, se eleito, governar sob forte tutela dos partidos do blocão.

“O que eventualmente vai ser importante é o quanto Alckmin vai ficar refém do centrão, ou seja, do baixo clero, na implementação da sua agenda futura”, disse à Reuters Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria Integrada.

“O Alckmin vai precisar construir uma ascendência sobre esses partidos para que a agenda reformista tenha sucesso.”

Risco às reformas

O tucano tem afirmado que, se eleito, levará ao Congresso já em janeiro do ano que vem propostas de reformas como a da Previdência, a tributária e a política. Segundo ele, a estratégia será usar o capital político vindo das urnas para obter aprovação do Congresso às medidas.

Entretanto, os partidos que agora aderem a Alckmin são os mesmos que, na base aliada de Temer, não aprovaram, por exemplo, a reforma da Previdência, uma das prioridades da agenda legislativa do emedebista. Além disso, há dúvidas sobre se parlamentares dessas legendas darão suporte a medidas que alterem significativamente o atual sistema político.

Cortez avalia o apoio do blocão a Alckmin como positivo para o tucano no curto prazo, mas afirma, por outro lado, que, embora o apoio dê ao tucano ferramentas e oportunidade para vencer a eleição, os riscos à candidatura dele ainda seguem elevados.

O analista aponta um risco do que chama de “sarneyzação” da campanha eleitoral deste ano e faz um paralelo com o pleito de 1989, quando o então presidente José Sarney (PMDB) também era amplamente rejeitado pelo eleitorado e candidatos vistos como próximos a ele –Ulysses Guimarães (PMDB) e Mario Covas (PSDB)– tiveram desempenho ruim.

“O que pode ocorrer é a mudança entre os personagens: o Sarney passa a ser o Temer, o Covas e o Ulysses passam a ser (o pré-candidato do MDB Henrique) Meirelles e Geraldo Alckmin. Esse risco ainda é bastante elevado”, avaliou.

 

 

Comentários

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  1. cleberson teixeira

    Alckmin no poder será a mesma coisa que um temer, Lula e Dilma. O Brasil continuará a mesma net da de sempre.

  2. Jocka Secondo JR

    Calma que vai dar tudo certo!! A campanha vai começar pra valer agora em agosto e Alckmin vai chegar com força total e vamos ganhar essa presidência!! #preparadoparaobrasil

  3. Marcia Candido

    Alianças desse tipo são necessárias em uma eleição. Acredito que Alckmin saberá tomar as decisões certas para que sua campanha cresça.

  4. Bruno Santana

    Ao meu ver, o Brasil precisa de um homem como Geraldo Alckmin com a visão do povo e de suas necessidades que sempre tem em mente a gestão eficiente,é competente, confiável e uma pessoa simples, tenho certeza que com ele o país voltar a crescer.